Por que o preço do azeite não vai cair em 2026 mesmo com produção maior

17 de fevereiro de 2026 18

A produção de azeite no Brasil deve bater recorde em 2026, depois de dois anos de quebra de safra no Rio Grande do Sul. De acordo com a Ibraoliva, a produção deve superar os 624 mil litros registrados em 2023.    

Atualmente, a olivicultura brasileira reúne cerca de 550 produtores distribuídos em aproximadamente 200 municípios dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. O Rio Grande do Sul concentra o maior número de produtores e responde pela maior parcela da produção nacional, cerca de 70%. 

“Estamos sendo agraciados por condições climáticas positivas e vamos ter a maior safra da história da olivicultura brasileira. Quem sabe possamos atingir o sonho de produzir 1 milhão de litros de azeite de oliva extra virgem no Brasil”, afirma o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho.

Depois do recorde em 2023, a produção registrou dois anos de queda. O volume caiu para 340 mil litros em 2024 e, na sequência, para 240 mil litros em 2025. A produção foi impactada principalmente pelo excesso de chuvas e pela alta umidade, fatores considerados críticos para o desenvolvimento da oliveira.

Depois de ser o vilão da inflação em 2023 e 2024, com altas de 37% e 20% respectivamente, o preço do azeite de oliva caiu 22% entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.   

Produtores esperam dobrar produção

A reportagem da Dinheiro Rural ouviu três produtores que atuam no Rio Grande do Sul e todos eles afirmaram que esperam dobrar a produção. Um deles é Rafael Sittoni Goelzer, cofundador da Estância das Oliveiras. “A safra de 2026 foi surpreendente. Vamos dobrar a nossa produção de azeite, para 15 mil litros esse ano”. 

A Prosperato afirmou que vai subir de 25 mil litros para 50 mil litros de azeite nessa safra. Já a Sabiá acredita que deva superar os 35 mil litros de produto esse ano, contra 15 mil na safra passada. A conta que os produtores fazem é que é preciso 10 quilos de azeitona para produzir 1 litro de azeite extra-virgem. 

Frio ajudou na grande produção no Rio Grande do Sul 

O fator climático é central para a maior produção de azeitonas. Os produtores explicam que o frio estendido no Rio Grande do Sul durante o inverno e as chuvas no momento certo fizeram com que a quantidade de azeitonas fosse maior e ajudaram para que o fruto desse mais azeite.  

“O frio ajudou a ter uma produção melhor na época da floração e consequentemente da polinização, e as chuvas que vieram depois ajudaram a azeitona a ter mais azeite. Com todos esses fatores, do clima e do manejo, a gente prevê um rendimento maior também no momento da extração. Então quando a gente fala de uma safra maior, a gente não tá falando só de quilos de azeitona colhida, mas de litros de azeite extraído com um rendimento maior”, explicou Rafael Marchetti, mestre de lagar e diretor da Prosperato. 

Desafios maiores na Mantiqueira 

A região da Serra da Mantiqueira, entre Minas Gerais e São Paulo, também é uma importante produtora de azeitonas no país. A reportagem ouviu dois produtores da região, Bob Costa, da Sabiá, e Herbert Sales, da Mantikir, que explicaram que a produção tem desafios próprios por conta da inclinações do local. 

“Na Mantiqueira tivemos um excesso de chuvas e isso atrasou o amadurecimento do fruto. A colheita, que estava prevista para começar no final de janeiro, começou só no começo de fevereiro porque a azeitona ainda estava muito verde”, explicou Costa. 

Ele também explica as diferenças entre os olivares da Sabiá nas duas regiões. “No sul, 100% das nossas 33 mil árvores estão muito carregadas. Já na Mantiqueira, onde temos 4 mil, isso cai para cerca de 70% do total”, apontou. 

Na região, a produção da Sabiá será de aproximadamente 2 milhões de toneladas de azeitona, ou 2 mil litros. Já a da Mantikir deve ficar entre 4 a 5 mil litros. 

Maior produção não deve significar preços mais baixos

Apesar da expectativa da produção recorde dos azeites nacionais, não há expectativa de que os preços dos produtos estejam mais baixos para o consumidor final nas gôndolas dos supermercados.  

Isso acontece por alguns motivos: o bom desempenho dos olivares veem depois de dois anos com grandes quebras de safra, principalmente no Rio Grande do Sul. Além disso, os azeites brasileiros suprem menos de 1% da demanda nacional pelo produto, que atinge 100 milhões de litros por ano. 

“Uma possível redução de preços dos azeites nacionais é improvável porque estamos vindo de duas safras muito ruins. Então essa seria uma safra de recuperação e é difícil imaginar que os preços baixem imediatamente. Depende muito da questão básica de oferta e demanda e até em relação aos azeites importados”, apontou Marchetti. 

O presidente da Ibraoliva alerta que os azeites importados que chegam ao país muitas vezes são de qualidade muito baixas e que muitas vezes são “refugos de azeites europeus, velhos e que na maioria dos casos é extravirgem apenas no rótulo”. 

“O azeite produzido no Brasil é extra virgem super premium. Nesta faixa, a nossa participação cresceu muito nos últimos anos e acredito que já tenhamos a maioria dos consumidores de azeite super premium comprando os azeites nacionais”, encerrou. 

Fonte: Bruno Pavan