Presidente da Funai fez mudança a toque de caixa para nomear evangelizador para tribos isoladas

6 de fevereiro de 2020 65

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcelo Xavier, fez uma manobra sob medida e que durou apenas 24 horas para garantir a nomeação do teólogo evangélico Ricardo Lopes Dias, que será responsável pela chefia de um dos setores mais sensíveis do órgão, a coordenação de índios isolados e de recente contato.

Para tanto, documentos obtidos pelo Globo mostram que Marcelo Xavier derrubou um dos empecilhos administrativos para garantir, em algo pensado sob medida para Dias, a nomeação de alguém de fora da Funai na coordenação de índios isolados. A manobra se iniciou no dia 28 de janeiro, quando ele pediu para alterar a natureza do cargo. Até então, a função era do tipo Função Comissionada do Poder Executivo (FCPE), que só poderia ser ocupado por servidores públicos efetivos.

 

Quarenta minutos depois, a Coordenação-Geral de Gestão Estratégica encaminhou o pedido do presidente da Funai ao Serviço de Modernização e Organização do órgão. Menos de 24 horas depois, a Coordenação de Planejamento e Modernização emitiu um parecer dizendo que era possível transformar o cargo em Diretoria e Assessoramento Superior (DAS), que pode ser ocupado por pessoas fora do serviço público.

Na tarde do dia 29 de janeiro, o setor deu aval para a alteração e produziu uma minuta de portaria para formalizar a mudança. No mesmo dia, Marcelo assinou a portaria e, no dia seguinte, ela foi publicada no Diário Oficial da União.

Ricardo Lopes Dias é missionário há mais de dez anos na Missão Novas Tribos do Brasil, que tem como principal objetivo a evangelização indígena.

Em uma dissertação de 2015, Dias destaca que o papel da Missão Novas Tribos é “a plantação de uma igreja nativa autóctone em cada etnia e para isso dispõe de treinamento bíblico, linguístico e transcultural próprio, além de uma consultoria técnica para assessoria estratégica e de acompanhamento espiritual por meio de visitas regulares da liderança aos missionários nos campos”.