Presidente do conselho da Raia Drogasil vê popularidade de Bolsonaro em queda e teme paralisia no país
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Em entrevista à Folha, o presidente do conselho da Raia Drogasil, Antonio Carlos Pipponzi, fala sobre a situação da economia e a atuação de Bolsonaro, alertando para as decisões que estão sendo tomadas ou podem ser feitas pelo governo.
Confira alguns trechos:
Como o sr. avalia os primeiros meses do governo Bolsonaro?
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O que se concluiu neste primeiro momento é que ele tem necessidade de alinhar as declarações com a de seu time. Acho que ele escolheu muito bem a equipe econômica, que está no foco, e é fantástica.
Agora é expectativa, expectativa, expectativa. Estamos vivendo esse período, esperando a reforma, tentando entender o comportamento do Congresso. É uma interrogação. Até que ponto os partidos estão estruturados e fortalecidos? O que é negociar com bancada? O que é essa coisa de bancadas da bala, da bola, da Bíblia? Qual é a visão de uma bancada sobre a Previdência? Tem quem goste de boi, de Bíblia, mas o que pensam sobre Previdência?
O que ele precisa fazer para não perder o controle da situação?
Acho que ele vai ter que ser um bom negociador. Seria um desastre para o país não aprovar a reforma previdenciária.
É um primeiro sinal que todo o mercado espera para começar investir, tanto de fora como de dentro [do país]. É um cenário de luz, claro para a retomada da economia, para diminuir o desemprego.
O mercado terá tolerância com ele até quando?
A tolerância, talvez, seja em relação ao Congresso. Tudo espelha nele [Bolsonaro], bate nele, respinga nele.
Nesse momento, o tempo dele é o tempo de o Congresso resolver a reforma. É complicado porque aí começam a dizer que [a reforma] não sai mais em abril, mas em julho.
Mas, se começa a passar muito tempo, ele começa a perder o capital político que tem desde que foi eleito, vai diminuindo. A aceitação popular do Bolsonaro já diminuiu muito desde a eleição. Há grande receio de uma paralisia, você vê a popularidade caindo porque ainda não tem nenhum sinal de retomada.
(…)