Procurador que esfaqueou juíza é encontrado morto
Do ConJur:
Foi encontrado morto o procurador da fazenda Matheus Carneiro Assunção. Ele esfaqueou a juíza Louise Filgueiras no último dia 3/10, dentro do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, na avenida Paulista, em São Paulo.
Assunção chegou a ser internado no Hospital das Clínicas, na capital, depois de ter sido preso em flagrante na data do crime.
Na audiência de custódia, a juíza responsável mandou Assunção para uma unidade psiquiátrica no interior de São Paulo, por entender que o procurador estava em estado de surto — durante a audiência, ele disse ser alcoólatra e tomar remédios.
Em novembro, a justiça determinou que o procurador fosse transferido da penitenciária Dr. José Augusto César Salgado, a P2 de Tremembé (SP), para uma clínica psiquiátrica em São Paulo.
A transferência foi embasada em laudos médicos que mostraram que o procurador “apresentou, ao tempo da ação, surto psicótico agudo transitório, sendo considerado, sob a ótica médico-legal psiquiátrica, plenamente inimputável para o delito descrito na denúncia”.
Segundo a decisão, tomada pelo juiz federal Alessandro Diaferia, “ante o laudo psiquiátrico apresentado, tanto por perito oficial como pelo próprio assistente técnico da Defesa, o réu, no presente momento, é pessoa incapaz, sem condições mentais de tomar decisões corriqueiras da vida em sociedade, salvo para situações mais simples e de reduzida expressão jurídica ou econômica”.
Caso
O caso ocorreu em 3 de outubro do ano passado na sede do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em São Paulo. Na ocasião, Assunção invadiu o gabinete da juíza Louise Filgueiras, convocada para substituir o desembargador Paulo Fontes, em férias, e chegou a acertar uma facada no pescoço dela, mas o ferimento foi leve.
Antes de se descontrolar totalmente, o procurador despachara com a desembargadora Cecilia Marcondes, quando já se mostrou alterado. Assunção então foi ao gabinete do desembargador Fábio Prieto, no 22º andar. Ele presidia uma sessão de julgamento e não estava no gabinete no momento.
O procurador, então, desceu as escadas e invadiu a sala que fica imediatamente abaixo, de Paulo Fontes, mas ocupada por Filgueiras durante suas férias.
A juíza trabalhava em sua mesa e foi surpreendida pela invasão do procurador, mas conseguiu se afastar dele — as mesas dos desembargadores são bastante amplas, o que dificultou o acesso de Assunção à vítima.
Diante do insucesso, ele ainda tentou jogar uma jarra de vidro na direção da magistrada, mas errou. O barulho da jarra quebrando foi o que chamou a atenção dos assessores. E o procurador foi imobilizado pelas pessoas que estavam dentro do gabinete durante a ação.