Projeto Vigia: Crime tem prejuízo de R$ 4,5 bilhões com operações de Moro nas fronteiras

22 de outubro de 2019 87

As organizações criminosas responsáveis pelo contrabando de mercadorias nas fronteiras brasileiras tiveram, em seis meses, um prejuízo de pelo menos R$ 4,5 bilhões com as operações coordenadas pelo Ministério da Justiça, por meio da Secretaria de Operações Integradas (Seopi). Os números são referentes apenas à operação Hórus no Paraná, um dos cinco pontos de atuação em fronteiras do Projeto Vigia. A operação também atua em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Acre.

Segundo o coordenador-geral de fronteiras da Seopi, Eduardo Bettini, a estimativa é possível graças a um trabalho de reconhecimento da região feito antes da deflagração da operação, que constatou a passagem de 200 embarcações por dia com contrabando através do Rio Paraná, em Foz do Iguaçu. Bettini diz que a estimativa de prejuízo das organizações criminosas é conservadora, pois considera que as embarcações teriam apenas cargas de cigarro contrabandeado – mais barato que outros produtos, como armas, drogas e munições.

“Se considerar o valor das cargas de cigarro, dá uma negativa de lucro para as organizações criminosas de aproximadamente R$ 4,5 bilhões, só nesse período de bloqueio”, explica o coordenador-geral de fronteiras.

Só no Paraná, já foram apreendidos nos primeiros seis meses do Projeto Vigia 18,7 milhões de maços de cigarros, 145 veículos, 50 embarcações e 3,6 toneladas de drogas, segundo o Ministério da Justiça. “A gente tem conseguido melhorar o resultado das apreensões”, diz Bettini.

As cargas apreendidas pelas forças policiais na fronteira do Paraná com o Paraguai e a Argentina somam R$ 110 milhões, segundo o coordenador de fronteiras. Com o trabalho na região, o país deixou de perder R$ 100 milhões em impostos e tributos.

Segundo estimativa do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP) do Ministério da Justiça, o Brasil perde R$ 100 bilhões por ano para a pirataria. Além disso, o dinheiro do contrabando e do tráfico alimenta organizações criminosas como o PCC, por exemplo.

Ao dificultar o contrabando, o governo atua para enfraquecer o poder econômico dessas organizações, que financia outros tipos de crime. Há pelo menos 20 crimes associados ao contrabando, que vão desde a corrupção e lavagem de dinheiro ao roubo de veículos – que também tendem a diminuir com o cerco nas fronteiras. (Gazeta do Povo)