PT perde votos em todas regiões e fica isolado no Nordeste. Petismo está encurralado
O PT nesta eleição, como nunca, ficou encurralado no Nordeste. Essa foi única região em que o partido de Fernando Haddad conseguiu votação próxima da de Dilma Rousseff no segundo turno, quatro anos atrás.
O PT teve no Nordeste 67,7% dos votos neste ano, ante 71,7% no pleito de 2014. Em termos absolutos, até conseguiu ter cerca de 1 milhão de votos a mais (a diferença ocorre porque o tamanho do eleitorado aumentou no período).
No país como um todo, Haddad teve 7,5 milhões de votos a menos que Dilma. A região onde houve a maior perda petista foi a Sudeste, com 4,8 milhões.
Na região, o PT chegou a vencer em 764 municípios há quatro anos, número que caiu para 439 nesta eleição.
Na capital paulista, onde Haddad foi prefeito, o PT chegou a avançar em votos (36,2% para 39,6%).
Em termos percentuais, foi no Sul onde o PT recuou mais, passando de 41,1% dos votos para 31,7% agora.
O número de vitórias petistas na região caiu de 442 para 211 municípios.
A mudança de votos do PT em 2018 acentua movimento que começou em 2006, quando o então presidente Lula foi reeleito tendo maioria no Nordeste, mas ainda com apoio de outras regiões.
Desde então, o PT perde espaço fora do Nordeste, o que fica visível em estados fronteiriços como Minas e Goiás.
Em sua primeira eleição, em 2002, a base de Lula havia sido o Sudeste.
Mesmo em seu atual bastião, o Nordeste, o PT teve alteração no padrão de votos em 2018. Nas capitais desses estados, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) teve mais votos do que o tucano Aécio Neves no segundo turno de 2014.
Em Fortaleza, a perda petista chegou a 1,3 milhões de votos. Ainda assim, Haddad foi o mais votado no município. O candidato derrotado Ciro Gomes (PDT) havia vencido na cidade no primeiro turno. Para o segundo turno, ele declarou apoio “crítico” para Haddad e não fez campanha para o petista.