Reforma política

26 de junho de 2019 177

O Editorial "Promessa sempre esquecida" (Diário da Região, 22/6), face ao aceno de Bolsonaro  de querer se reeleger, contrariando o que tinha dito quando candidato à Presidência, retoma o assunto da necessidade de uma profunda reforma político-eleitoral, a mãe de qualquer outra reforma. A meu ver, há dois pontos fundamentais a serem debatidos: a diminuição do número de partidos e o voto distrital.

            Quanto ao primeiro, não faz sentido algum sustentarmos dezenas de agremiações políticas. Lembro que os modernos Estados Unidos da América do Norte, ao exemplo da antiga República de Roma, têm apenas dois partidos, um mais Social, voltado para a defesa de interesses dos  trabalhadores da classe mais pobre, e outro mais Liberal, defendendo as forças do capitalismo e da livre iniciativa. Os dois, tendo maioria absoluta, não precisariam de partidos de aluguel para governar  e poderiam se alternar no poder. O que chamam de ideologia é pura hipocrisia, pois os atuais parlamentares foram eleitos para defenderem as várias corporações (da bala, do boi, da bíblia), que financiaram suas campanhas eleitorais. Portanto, apenas dois partidos deveriam ser institucionalizados, só a eles destinando os recursos públicos do Fundo Partidário. Candidaturas de outros partidos poderiam ser permitidas, mas sem financiamento do Estado.

            Quanto ao segundo ponto, a adoção do voto distrital, se até agora não aconteceu, foi apenas porque nossos parlamentares nunca estiveram preocupados com o bem estar da nossa Nação. Se democracia, por definição, é governo do povo, porque não aproximar o político do espaço onde vivem seus eleitores? Num País de tamanho continental, como o Brasil, seria mais fácil baratear as campanhas eleitorais e cobrar as promessas dos candidatos. Infelizmente, o sistema de voto distrital não passou na Constituição vigente. Mas os constituintes de então, como outros políticos ou juristas, foram seres humanos sujeitos a erros. Nossa Carta Magna, que já sofreu tantas Emendas, agüentaria mais uma! Cabe à sociedade civil, através de todos os meios de comunicação disponíveis, lutar para a melhoria de nossa cidadania, estimulando a escolha de governantes honestos e competentes, ao nível federal, estatal e municipal.

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Salvatore D' Onofrio 
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP 
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
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