Região onde Bolsonaro nasceu e cresceu convive com a fome ? ? ?

21 de julho de 2019 279

Do Estadão:

A dona de casa Maria da Silva Oliveira serviu macarrão branco, sem molho ou mistura, de almoço ontem para a família, repetindo o “cardápio” da noite anterior. São oito pessoas acomodadas em um imóvel de três cômodos em Registro, considerada a “capital” do Vale do Ribeira, em São Paulo. “Fome, todo mundo passa aqui, filho. A gente se vira com o básico, arroz, feijão, de vez em quando um ovo ou uma salsicha”, afirma ela, que se mantém com renda mensal de R$ 900.

O caso de “Maria Preta”, como é chamada na cidade, está longe de ser isolado e exemplifica dados divulgados por organismos internacionais que mostram a estagnação do combate à fome do Brasil. Também contraria a afirmação feita, na sexta-feira, pelo presidente Jair Bolsonaro de que falar em fome no País é uma “grande mentira”.

Na casa de Ivone Guedes, também moradora de Registro, a situação era parecida. Para o almoço de sábado, ela contava com três ovos para sete pessoas, e não havia planos para o jantar. “Vou fazer mexido e repartir, tem arroz e feijão. A janta? Talvez meu irmão traga umas bananas.” Ela conta ter trocado a zona rural pela cidade atrás de um emprego fixo, o que não conseguiu. “Fome? É o que mais tem por aqui. O estômago ronca, mas fazer o quê? Quando tem arroz e feijão, o básico do básico, a gente fica contente.”

 

O Vale do Ribeira, onde Bolsonaro passou a infância e a juventude, é uma das regiões mais pobres de São Paulo, junto com o sudoeste do Estado. Dos 23 municípios que integram o Vale do Ribeira, três deles estão entre os 15 piores em termos de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)– Itariri, Sete Barras e Barra do Turvo.

A região também tem, proporcionalmente, a maior população assistida pelo Bolsa Família no Estado. Em 2015, último dado disponível, eram 30,4 mil famílias nos 23 municípios inscritas no programa. Só em Eldorado, 1.282 famílias (ou um terço da população) recebiam ajuda federal para sua subsistência.

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