Reinaldo Azevedo: Ao se entregar a Bolsonaro, DEM segue sua sina da “rabeira bem remunerada”

1 de fevereiro de 2021 33

Da coluna de Reinaldo Azevedo

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) preparava seu ainda partido — será que lá vai continuar? — para ser um protagonista em 2022. As possibilidades estavam abertas: ou um lugar de destaque numa eventual aliança com o tucano João Doria (PSDB), se candidato for, ou na construção de uma alternativa de centro-direita com algum outro nome — sim, chegou-se a falar em Luciano Huck.

Notem que não estou aqui a especular sobre eventuais desejos meus. Muito longe disso. Aponto, reitero, que o DEM parecia caminhar para ser um interlocutor de respeito.

A facilidade com que arreganhou as, digamos, portas quando sofreu o assédio dos cofres do Planalto indica a distância que está a legenda de assumir uma tarefa dessa envergadura. Os tais “democratas” que se alinharam com Lira querem mesmo é a velha rotina da boquinha. E ponto final!

 

Mais: boa parte ali se alinha com os postulados mais pestilentos e reacionários de Jair Bolsonaro. Isso remete àquela velha questão sobre setores da direita brasileira que tinham um cardápio enorme de candidatos conservadores se estivessem apenas interessados em não votar no PT. (…)

Não me parece que haja espaço no DEM para abrigar não uma ala esquerdista, claro!, mas um grupo que esteja afinado com os postulados de um mundo civilizado. Quem escolhe um arranjo que condescende — porque é disto que se trata — com uma montanha de quase 230 mil cadáveres não aspira à decência e à grandeza, não é mesmo?

O DEM não quer ser um partido conservador, alinhado com a modernidade. É uma legenda reacionária. Nessa condição, não pretende o protagonismo de nada. Quer ser apenas uma rabeira bem remunerada.