Renan Calheiros: “há necessidade de ações mais restritivas às armas e de repetirmos o referendo”
Renan Calheiros escreveu na Folha um artigo discorrendo sobre a questão das armas de fogo no Brasil:
Duas das recentes tragédias que abalaram o Brasil têm um denominador comum: armas de fogo. Parte da elucidação da execução da ex-vereadora Marielle Franco e de Anderson Gomes, em 2018, e a barbárie na escola Raul Brasil, em Suzano (SP), evidenciam a necessidade de rediscutirmos, organicamente, uma política de segurança pública, ações mais restritivas de acesso às armas de fogo e de repetirmos o referendo de 2005.
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As causas da violência são múltiplas e complexas. Vão da questão social, como desemprego, ao irresponsável jogo de transferência de responsabilidade entre os entes públicos, mas a banalização e flexibilizações no acesso às armas potencializam o problema. Ninguém tem a pretensão de solucionar a intricada questão da segurança pública só proibindo armas de fogo, mas a medida contribuiria para diminuir as nossas vergonhosas estatísticas.
As sistemáticas pesquisas de especialistas e acadêmicos quanto à relação direta entre o volume de armas em circulação e a violência são tão convergentes quanto eloquentes. Várias ferramentas criadas para outros fins podem matar: carros, facas, machados, aviões –liquidificadores, não–, mas apenas a arma é concebida e fabricada para matar.
Por isso, é imperioso que elas estejam restritas aos profissionais da segurança. O cidadão de bem não tem destreza no manuseio e sempre será o surpreendido. Com isso, ter arma não representa segurança. Ao contrário, aumenta o risco de morte.
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Na reabertura do debate, que o façamos pelo lado bom, pela perspectiva de preservar vidas, como o Estatuto do Desarmamento o fez com números verificáveis. Afinal, como nos ensinou o menestrel Gonzaguinha, “ninguém quer a morte, só saúde e sorte”.