Resposta

13 de maio de 2019 207

 Contestando o leitor Carlos Roberto Nogueira ("Evolução": Diário, 11/5) esclareço que eu nunca sofri de nenhuma "ideologia subjacente". Sou apenas um ser humano que pensa com sua própria cabeça, refletindo sobre nossa realidade, sem aceitar piamente doutrinas de líderes religiosos ou políticos que contrastem o raciocínio lógica e as descobertas científicas. Em pleno século vinte, não aceitar o Evolucionismo, continuando a acreditar no Criacionismo, é um querer fechar os olhos à verdade existencial. Sem entrar em diatribes insossas, formulo apenas algumas perguntas. Por que uma divindade teria criado bilhões de galáxias e trilhões de astros, se apenas uma estrela, o sol, é suficiente para iluminar nosso minúsculo planeta? Como separar a alma do corpo de qualquer ser vivo, o espírito da matéria, se, conforme os atuais estudos da neurociência, a atividade mental está diretamente relacionada com o desenvolvimento da massa cerebral?

            A alma (espírito, mente ou intelecto) é simplesmente a função de um órgão do nosso corpo, o cérebro. Assim, como o coração impulsiona a corrente sangüínea, as células cerebrais, os neurônios, nos fazem sentir e pensar, numa constante evolução, da gestação à morte. Minha alma de agora é bem diferente do espírito que tinha quando menino! Se, portanto, a alma fosse de origem divina, independente do corpo, ela não deveria sofrer alterações e morte. Na Itália, discutindo esse tema com minha irmã mais velha, católica fanática, fizemos um pacto: quem morresse primeiro, daria um jeito de aparecer ao outro falando da vida após à morte. Ela faleceu há mais de meio século e, até agora, não apareceu para me contar! Acreditar na existência de um mundo sobrenatural apenas pela fé, considerando essa o dom de um Deus, não fugiríamos da pergunta: por que uma divindade poderosa e bondosa não daria esse dom a todas as suas criaturas? A resposta do livre arbítrio é papo furado: um pai sensato não daria uma faca a seu filho, se soubesse, de antemão, que a criança cortaria o dedo e não a maçã! Já faz um bom tempo que, em mim, a consciência tomou o lugar da fantasia. Sinto orgulho do título de um velho livro meu publicado e disponibilizado pela leitura gratuita na Wikipédia: "Pensar é preciso"!

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Salvatore D' Onofrio 
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP 
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
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