O IBGE considera que mais de três pessoas por dormitório é excessivo. E há 300 mil domicílios na Região Metropolitana que se encontram nessa situação. Esse dado acende um alerta num momento em que se apela para a necessidade de isolamento por causa do risco de contágio. Se houver um processo de disseminação do coronavírus nesses lugares, a propagação será muito mais rápida — diz, preocupado, Henrique Silveira, coordenador executivo da Casa Fluminense, organização criada em 2013, voltada à construção de políticas públicas para a redução de desigualdades.
Mas ele aponta movimentos liderados pelas próprias comunidades como um fator positivo para tentar evitar um cenário de contaminação em massa.
— Há um esfoço grande de conscientização sobre a importância de ficar em casa. Existe também um movimento para garantir materiais básicos de higiene pessoal — comenta.
Diretora da ONG Redes da Maré, Eliana Silva diz que a situação no complexo se torna mais grave por causa do sucateamento das unidades básicas de saúde, cujos profissionais hoje não encontram condições adequadas de trabalho. Lá funcionam precariamente 11 clínicas de família e uma UPA.
— O governo precisa buscar ações. Já existe uma estrutura de saúde nessas regiões que poderia atuar de maneira organizada na prevenção. Tem que trabalhar o emergencial pensando também no depois.
Na lista de 22 cidades da Região Metropolitana, municípios da Baixada estão no topo. Depois de Japeri, vêm Belford Roxo (12,4%); Queimados (11,9%); São João de Meriti (11%); Mesquita (10,6%); Caxias (10,3%); Nova Iguaçu (10,2%); e Magé (9,6%). O Rioé o 17º, com 6%.