Ritual de iniciação da milícia do Rio inclui assassinato, esquartejamento e cemitério clandestino
Da reportagem de Herculano Barreto Filho, no UOL:
A milícia, conjunto de grupos armados que atuam na ilegalidade no Rio de Janeiro, adota um ritual de iniciação para novos membros que inclui sessões de tortura, assassinato, esquartejamento e enterro em cemitérios clandestinos em áreas rurais. O UOL teve acesso a informações que mostram o batismo de sangue do crime, investigado pela Polícia Civil e pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro).
Os dados integram a apuração sobre a expansão dos paramilitares para as cidades da Baixada Fluminense. Na noite de 18 de junho deste ano, oito homens fortemente armados surpreenderam um grupo de mototaxistas regularizados no Parque Sarandi, em Queimados (RJ).(…)
Invadiram uma casa e se identificaram como policiais para retirar um homem de lá algemado, sob o pretexto de que iriam levá-lo à delegacia da região, onde ele prestaria esclarecimentos.(…) Em dois veículos, os milicianos rodaram cerca de sete quilômetros por uma estrada de terra para chegar em um sítio abandonado. O local era usado como cemitério clandestino pelos paramilitares. Ronald foi morto com um tiro na cabeça.
Segundo a Polícia Civil, Márcio acabou sendo assassinado a facadas em um ritual de iniciação para um novo membro do grupo. De acordo com as investigações, o novato também precisou decapitar a vítima para ser batizado como membro da milícia. Depois de aceito no grupo, o novato precisa passar por um ritual de ingresso, que inclui decapitação ou esquartejamento. Não foi um caso isolado. Encontramos corpos de várias vítimas que comprovam essa prática macabra, afirmou o delegado Leandro Costa, da DHBF (Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense).
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