Rússia bloqueia fornecimento de gás para Bulgária e Polônia

27 de abril de 2022 391

MILÃO, 27 ABR (ANSA) – A Rússia suspendeu nesta quarta-feira (27) o fornecimento de gás natural para Bulgária e Polônia, países que se recusaram a pagar pela commodity em rublos.   

É a primeira vez desde o início da guerra na Ucrânia, em 24 de fevereiro, que Moscou interrompe o abastecimento de gás para Estados-membros da União Europeia.   

O anúncio foi feito pela estatal russa Gazprom e confirmado pelos governos búlgaro e polonês. Segundo a empresa, o fluxo de gás continuará suspenso enquanto os dois países não realizarem pagamentos em rublos.   

A exigência de se usar a moeda russa em transações por gás natural é uma medida adotada pelo regime de Vladimir Putin para se contrapor às sanções da União Europeia por conta da invasão à Ucrânia.   

Em pronunciamento para parlamentares, o premiê da Polônia, Mateusz Morawiecki, disse nesta quarta-feira que a suspensão do fornecimento de gás é mais uma ação do “imperialismo” russo e um “ataque direto” contra o país.   

“Vamos enfrentar essa chantagem com a pistola apontada para nossa cabeça sem que os poloneses percebam”, declarou o primeiro-ministro, acrescentando que a Polônia tem reservas de gás suficientes para um mês e meio “ou até mais”.   

Já a Bulgária afirma ter estoques para pelo menos um mês. “Essa chantagem unilateral é inaceitável”, ressaltou o primeiro-ministro Kiril Petkov. O país também prometeu revisar seus contratos com a Gazprom relativos ao trânsito de gás natural para Hungria e Sérvia, países com governos pró-Rússia.   

Por sua vez, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu que o bloco estava “preparado para esse cenário”. “Estamos traçando nossa resposta coordenada na UE. Os europeus podem confiar que estamos unidos e somos solidários com os Estados-membros atingidos”, disse a alemã no Twitter.   

A União Europeia se recusa a pagar pelo gás russo em rublos e já vem trabalhando para reduzir sua dependência em relação a Moscou, inclusive com um acordo para aumentar as importações dos Estados Unidos.   

Por enquanto, outros países da UE, como Áustria e Itália, já informaram que não houve redução no fornecimento de gás por conta do não pagamento em rublos. (ANSA).   

Fonte: ANSA