Salto ornamental?
A indicação do juiz Sergio Moro para o ministério da Justiça é vista como um salto "triplo carpado" (Laryssa Borges, rev.Veja, 7/11) por ele ter abandonado a Lava Jato para entrar na esfera política, quase que o poder judiciário não fizesse parte da vida pública. Lembro que o étimo da palavra política é o nome grego "pólis", que significa cidade. O filósofo Aristóteles, já no século quarto antes de Cristo, definia o homem como "um animal político", pois a ele cabia, de qualquer profissão ou classe social fosse, governar a Nação. Todos nós, portanto, somos corresponsáveis pelo destino de nossa cidadania.
Na maioria das democracias modernas, a função de governar estados e municípios é delegada a gente que, filiada a partidos e como representante do povo, deveria cuidar do bem da coletividade, utilizando o dinheiro arrecadado pelos impostos para providenciar educação, saúde, segurança, transporte coletivo. Acontece que, em países menos desenvolvidos, os políticos formam uma classe social mais direcionada para colher benefícios particulares do que atender às necessidades do povo. A meu ver, a aceitação do convite de Bolsonaro não se deve à vaidade política de Moro, mas ao seu desejo da criar uma agenda nacional mais forte anticorrupção e anticrime organizado. Um Ministro de Estado tem muito mais poder do que um simples juiz. Seu salto, mais do que ornamental, é de longo alcance para o progresso do nosso País.
Salvatore D' Onofrio
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
www.salvatoredonofrio.com.br
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