São Paulo investe mais em prisões provisórias do que em programas sociais

20 de maio de 2019 152

do Brasil de Fato

São Paulo investe mais em prisões provisórias do que em programas sociais

por Igor Carvalho

O Instituto Sou da Paz e a Rede Nossas Cidades apresentaram o estudo “Vale a pena? Custos e alternativas à prisão provisória no estado de São Paulo” em que utilizam dados coletados pela Defensoria Pública paulista para calcular quanto custa manter a população de presos provisórios no estado.

De acordo com o estudo, o município de São Paulo mantém 60 mil pessoas presas provisoriamente, enquanto aguardam julgamento. Essa quantia é equivalente a 25% dos presos em unidades paulistanas. Para mantê-los encarcerados, o custo é de R$ 76 milhões por mês.

O levantamento propõe um recorte para análise dos presos provisórios do Jardim Ângela, na zona sul, e da Brasilândia e Freguesia do Ó, que são da zona norte da capital paulista. Os três bairros acumulam 753 pessoas que estão detidas aguardando julgamento e que custam, somadas, R$ 4,5 milhões por mês. “É mais do que o valor anual do programa “Jovem Cidadão – Meu Futuro”, que oferece oportunidades de inserção no mercado de trabalho para jovens em todo o estado”, afirma o documento.

O Instituto Sou da Paz aponta que entre 2010 e 2017, o investimento na administração penitenciária cresceu 27,5%. Na contramão, o emprego de verbas nos programas “Ação Jovem” e “Jovem Cidadão”, que atuam para fomentar empregos aos jovens em situação de vulnerabilidade nas periferias, reduziu 78% e 61%, respectivamente.

Para Ana Carolina Pekny, coordenadora de projetos do Instituto Sou da Paz, não se pode confundir o remédio para esse diagnóstico. O caminho não é diminuir o custo dos presos provisórios, mas reduzir a população carcerária brasileira.

 

“O Estado já viola direitos humanos nas condições que a gente tem atualmente no centro de detenções provisória. Se ele tentar reduzir custo cortando coisas da administração, aí ele vai violar muito mais. Não tem como, temos que reduzir o número de presos”, finaliza Pekny.

Edição: Guilherme Henrique