"Se correu bem, o que será quando correr normalmente? É de temer o pior"

13 de agosto de 2018 472

Depois de oito dias de chamas intensas que lavraram em Monchique e em Silves, o Partido Social Democrata, pela voz de David Justino, vem agora a público, tecendo um balanço da ação do Governo de Costa.

 

Neste que foi o primeiro grande incêndio de 2018, contrariamente ao cenário de tragédia do ano passado em que se perderam dezenas de vidas, não se registaram vítimas mortais. De acordo com o balanço das autoridades, houve 41 feridos, apenas um deles em estado grave. Na ótica do Governo, a "grande vitória" foi o facto de ter havido zero vítimas a lamentar.

Ora, o entendimento do PSD não é o mesmo. Esta deveria ser, como refere o antigo ministro da Educação, “uma situação normal”. Para o vice-presidente do PSD, 2017, sim, deveria ser “a dolorosa exceção”. E os resultados de Monchique “não justificam o júbilo e a vitória que se registam em declarações dos líderes governamentais. Se para o Governo correu bem, o que será quando correr normalmente? Será de temer o pior”, afirmou o social-democrata, acrescentando ainda que o Executivo de Costa “não tem a ambição de fazer bem, contenta-se com o mal, sugerindo sempre que podia ser pior”.

Com o cenário de Monchique, Portugal é já “o recordista do maior fogo na Europa”. E, para começo de época, “não é muito animador”, referiu, salientando ainda que aquela região era conhecida por representar risco e, por isso, “o Governo sabia que deveria incidir na zona em termos de preparação e de prevenção. Não havia razões para surpresa nem contextos extraordinários”.

As expressões dos membros do Governo ao longo do incêndio só demonstram que “há falta de recato, humildade e muita precipitação”, frisou David Justino.

Recorde-se ainda que ao fim de cinco dias de incêndio, por determinação do Ministério da Administração Interna, as operações em Monchique passaram a estar nas ‘maõs’ do Comando Nacional. E apesar de a Autoridade Nacional da Proteção Civil ter garantido que se tratou apenas do cumprimento de um protocolo interno, o PSD defende que esteve patente nesta circunstância "uma falta de estratégia no combate aos fogos. Estratégia de comunicação a mais e de combate a menos”.

Já no final das suas declarações aos jornalistas em conferência de imprensa, David Justino desejou, em nome do PSD, que “o que se viveu em Mochique não se volte a viver tão cedo”. Já para o Governo, as palavras são mais duras: “Concentrem-se mais e menos em fazer campanha eleitoral que ainda vem longe. Perto está um verão tardio, propício a fenómenos extremos e imprevistos. Saibamos antecipá-los e, sem triunfalismos, evitar que se multipliquem as exceções”.

O vice-presidente do PSD deixou ainda uma palavra de gratidão aos operacionais que, “com esforço, se envolveram no combate às chamas”, e aos autarcas das zonas afetadas que “estiveram onde deveriam estar: no combate em defesa das populações”.

Já quanto à escolha temporal para proferir estas declarações, David Justino justificou que o PSD não quis fazer qualquer comentário enquanto decorria o incêndio e o respetivo rescaldo.