Sem medo de ser colônia, o troféu da Lava Jato. Por Fernando Brito
Publicado originalmente no blog Tijolaço
POR FERNANDO BRITO
Matriz ou filial, samba canção de Lúcio Cardim que Jamelão imortalizou, já não serve para classificar o Brasil.
Agora, com o plano do governo Bolsonaro – adiantado hoje pela Folha, nem mesmo filial é preciso ter para ganhar dinheiro no nosso (?) país.
Bens, serviços e obras não precisarão mais, para serem comprados ou contratados, que empresas estrangeiras sequer abram aqui um escritório de representação.
Isso abrange, inclusive, o setor de construção pesada, no qual o Brasil era não só autossuficiente, mas também um exportador, com contratos por toda parte do mundo e onde os créditos do BNDES (estes mesmos que a auditoria da caixa-preta provou serem lícitos e corretos) serviam para estimular toda a cadeia de suprimentos para a sua realização.
Uma bomba nuclear não seria tão devastadora sobre estas empresas, sobre centenas de milhares de empregos e sua agora nula capacidade de trabalhar aqui e lá fora.
E, arruinadas aqui as nacionais, porta totalmente aberta para os estrangeiros.
Agora basta contratar a obra lá de fora, mandar uns místeres para cá, contratar a peonada, com uns tradutores-feitores e levar o grosso o dinheiro para fora.
A industrialização do Brasil, cujas bases Getúlio Vargas e JK lançaram, desparece. Nem mesmo montadoras de peças importadas precisaremos ter.
A elite brasileira se lançou no projeto de que aqui seja apenas um entreposto colonial, que que seu projeto econômico seja apenas o de receber comissões, como a proxeneta a nação.
Aliás, mesmo, o que vale lembrar é da velha expressão: “casa de porta aberta”.