Skaf descontenta associados por colocar Fiesp a serviço do bolsonarismo

3 de janeiro de 2020 98

De Bruna Narcizo na Folha de S.Paulo.

A crescente aproximação da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) com as Forças Armadas tem deixado alguns dos mais importantes industriais paulistas descontentes.

A principal queixa decorre do fato de que, enquanto o setor atravessa um crise profunda —até novembro, por exemplo, o estado de São Paulo registrou o fechamento de 6.634 indústrias—, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, estaria deixando de lado a agenda do setor para se dedicar a acenos para agradar ao governo de Jair Bolsonaro e se aproximar dele. 

Um dos principais motivos de discórdia no momento é o projeto do colégio militar na capital paulista. Pessoas envolvidas estimam que o seu custo ultrapasse os R$ 100 mil e que sua maior função foi abrir portas com Bolsonaro.

 

A intermediação em favor do colégio teria sido feita pelo general Luiz Eduardo Ramos, atual ministro-chefe da Secretaria de Governo. Em março do ano passado, o general se reuniu com Skaf para tratar do tema e da viabilidade do apoio da Fiesp no projeto arquitetônico do colégio.

Em outra frente, o presidente da Fiesp tem participado da tentativa de viabilizar a criação do novo partido de Bolsonaro, a Aliança pelo Brasil.