Sob Bolsonaro, militares perdem popularidade e apoio à intervenção cai de 62% para 49%

25 de abril de 2019 199

A experiência ameaça suplantar a esperança. Desde que Jair Bolsonaro começou seu mandato presidencial, caiu 13 pontos a proporção de eleitores que acham boa ou ótima a ideia de um governo militar no Brasil. Segundo pesquisa inédita do Ibope, em janeiro, logo após a posse, 62% dos brasileiros idealizavam os militares no poder. Foi um recorde, mas a presidência do ex-capitão do Exército não parece ter ajudado a sustentar tanta expectativa. Em abril, a taxa foi a 49%. Ainda é alta, mas a oposição ao governo militar ganhou força simultaneamente.

Em quatro meses, a fatia dos que acham o conceito de governo marcial ruim ou péssimo cresceu de 32% para 45%. Ou seja, os 30 pontos que separavam apoiadores de detratores da ideia viraram quatro. Os dois grupos estão no limite de um empate técnico, já que a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Para os que trocaram de lado, a experiência de ter um ex-militar no comando do país não está fazendo justiça à esperança que tinham nesse tipo de governo.

 

 

A diminuição do apoio ao poder fardado coincide no tempo e no tamanho com o desgaste de Bolsonaro. O presidente consumiu 14 pontos de sua popularidade nos mesmos quatro meses.

Desde janeiro o Ibope mede mensalmente a taxa dos que avaliam o governo Bolsonaro como ótimo+bom, regular ou ruim+péssimo. A curva da popularidade presidencial foi descendente em fevereiro e março, e estabilizou em abril. O ótimo+bom caiu de 49% para 39% do primeiro para o segundo mês de governo, foi a 34% no terceiro e oscilou para 35% no quarto. No mesmo intervalo, a taxa de ruim+péssimo cresceu todo mês: de 11% para 19% em fevereiro, para 24% em março e 27% em abril. O percentual de regular foi de 26% para 34% entre janeiro e março, e oscilou para 31% em abril. Em quatro meses, a proporção dos que não souberam avaliar o governo caiu à metade. Foi de 14% para 7%.

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