Subordinado a Trump, governo Bolsonaro tem agora o desafio de mostrar independência no caso do Irã

3 de janeiro de 2020 118

Da Coluna de Jamil Chade no UOL.

A tensão entre EUA e o Irã coloca diplomacia brasileira de Ernesto Araújo em uma situação delicada. Se tradicionalmente o Itamaraty adotou uma postura de construir pontes e evitar entrar em conflitos na região, a nova aliança entre Jair Bolsonaro e Donald Trump modificou a equação.

O assassinato de Qasem Soleimani pelos EUA tem sido condenada pela China, Rússia e mesmo pelos democratas americanos. Na Europa, governos imediatamente lançaram apelos para que uma guerra seja evitada, mesmo que reconheçam o papel perigoso que Soleimani teve ao longo de anos na desestabilização da região e mortes.

Na avaliação de especialistas, um conflito que já vinha sendo travado nas sombras agora ganha a luz do dia. E com consequências que podem sair do controle.

 

Uma das marcas do primeiro ano do governo brasileiro foi seu alinhamento automático com Washington. Mas, desta vez, o que muitos na ONU querem saber é como o discurso de submissão de Brasília vai ser traduzido diante da ameaça de um conflito maior. O mercado iraniano tem sido um importante destino das exportações brasileiras. Mas a situação testa agora até que ponto Bolsonaro e Araujo poderão resistir aos americanos e adotar uma postura independente.