Terceiro suspeito de planejar massacre em Suzano diz qual era a estratégia da ação

20 de março de 2019 263

Reportagem de Eduardo Gonçalves na revista Veja.

Apreendido nesta terça-feira, 19, pela polícia sob suspeita de ter ajudado no planejamento do atentado à escola Raul Brasil, em Suzano (SP), um adolescente que era amigo dos assassinos enviou mensagens de celular nas quais detalhava sua ideia para um ataque armado à escola. O tom desses comunicados reforça a hipótese de que o massacre tinha por objetivo central trazer fama – póstuma, obviamente – a seus praticantes.

A divulgação de imagens do crime era um ponto central do projeto. “Cada câmera seria importante pq os assassinatos iriam acontecer na frente delas”, diz o adolescente a um interlocutor não identificado no dia 18 de outubro de 2018 – portanto, seis meses antes do ato. O interlocutor reage: “Carai tu queria chocar o mundo mesmo né?”. O menor, então, responde: “Queríamos. Isis. Quem seria Isis perto de uns adolescentes com facas e umas armas veia”. ISIS é uma sigla traduzida do inglês para definir o Estado Islâmico da Síria e Iraque, grupo terrorista que costuma gravar e divulgar na internet a execução de suas vítimas, geralmente degoladas com faca.

Com o intuito de se equiparar à brutalidade do grupo extremista e provocar mais comoção do que o ataque de Columbine, nos Estados Unidos, o menor diz que o plano envolvia despir as garotas, executá-las no meio do pátio e depois posicionar os corpos de “forma humilhante”, “pro crime ficar inesquecível”. Em outro ponto da conversa, ele diz que o amigo cogitou até estuprar as vítimas e usar “granadas gigantes com parafusos”.

A certa altura, o garoto demonstra certa crise de consciência, atribuindo as ideias homicidas a “brisas malignas”. Diante das declarações, o interlocutor não identificado comenta que os “jornais sensacionalistas iriam ficar bem felizes”, e que se o atentado fosse feito “numa escola particular seria muito melhor”, pois “ia dar muito mais repercussão” por “só ter filho de rico”. O menor retruca que seria difícil entrar numa escola particular.