Um mês da guerra de versões entre Putin e Zelensky: do nazismo ao 11/9
Inexplicável. O derramamento de sangue na Ucrânia começou depois de muitas negativas do governo da Rússia sobre uma eventual invasão da Ucrânia. Há um mês, em 24 de fevereiro, porém, tanques e soldados russos invadiram o país vizinho e desencadearam um pesadelo — tanto para os ucranianos quanto para o resto do mundo.
A escalada da violência no Leste Europeu não parou neste primeiro mês de uma guerra que ameaça tragar também a economia mundial. A instabilidade econômica e geopolítica no planeta e uma severa crise humanitária na Europa têm deixado o mundo perplexo.
Mesmo sem argumentos plausíveis, o líder russo, Vladimir Putin, defende que a investida militar é necessária para “desnazificar” a Ucrânia, optando por tentar justificar a agressão em parte da história mundial que deixou marcas indeléveis na humanidade.
Putin alega que os ucranianos cometem genocídio contra áreas pró-Rússia, como as províncias de Donetsk e Luhansk, que se declararam independentes da Ucrânia e foram prontamente reconhecidas pelos russos.
Desde a autorização para as tropas avançarem, mísseis passaram a atingir áreas residenciais, hospitais, escolas, creches e até corredores humanitários de fuga na Ucrânia. Civis estão na mira dos tanques, o que já rendeu a abertura de uma investigação no Tribunal Penal de Haia por possíveis crimes de guerra.
O presidente do país invadido, Volodymyr Zelensky, classifica a guerra como o maior horror da Europa dos últimos 80 anos. Ele cobra mais apoio do Ocidente. Quer mais armas e novas sanções econômicas contra a Rússia.
Enquanto a violência se grava, Zelensky aposta na retórica e na comunicação direta com líderes mundiais. Em discursos para vários parlamentos do Ocidente, ele já comparou os bombardeios ao atentado de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e à 2ª Guerra Mundial.
Ao completar um mês, nesta quinta-feira (23/3), a guerra militar escancara também a batalha incessante de narrativas. O Metrópoles separou, em cards, as frases mais marcantes e polêmicas de Putin e Zelensky.




A Rússia e a Ucrânia vivem um embate por causa da possível adesão ucraniana à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), entidade militar liderada pelos Estados Unidos. Na prática, Moscou vê essa possibilidade como uma ameaça à sua segurança.
Os bombardeios diários continuam. Cercar, isolar e tomar o poder. Assim tem sido a estratégia do exército russo na guerra.
As cidades de Kiev, a capital, Kharkiv, Dnipro, Zaporizhzhia e Kherson estão sob ataques constantes. Mariupol, no sul, está devastada. Ucranianos convivem com a falta de água, comida e remédios.
O conflito obriga o mundo parar e se debruçar sobre o embate político-diplomático. Grupos como a Otan, a União Europeia e o G7, grupo dos países mais ricos do mundo, se reúnem nesta quinta-feira. A negociação entre os governos russo e ucraniano estão estagnadas.
Como e quando o conflito irá acabar, ninguém sabe precisar. Consenso é que o horror da guerra precisa acabar. Nas últimas quatro semanas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 10 milhões de pessoas abandonaram suas casas, das quais 3,5 milhões fugiram do país.