Vorcaro acusa Davi Alcolumbre de receber R$ 155 milhões em propina
Banqueiro do Master afirma em delação que presidente do Senado recebeu US$ 30 milhões em conta no exterior; Alcolumbre nega e promete processar
O senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado e do Congresso Nacional, é alvo de uma das acusações mais graves do escândalo do Banco Master. Segundo relatos de Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição financeira, Alcolumbre teria recebido US$ 30 milhões — aproximadamente R$ 155 milhões — em propina em troca de apoio a demandas de interesse do banco.
A informação consta em propostas de delação premiada apresentadas por Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com os relatos, o valor foi depositado em uma conta secreta no exterior e repassado ao parlamentar por meio de Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro.
Alcolumbre nega categoricamente qualquer envolvimento em irregularidades. Em nota, o presidente do Senado anunciou que vai acionar a Justiça para que Vorcaro responda por "falsas acusações". As revelações do ex-banqueiro, no entanto, precisam ser comprovadas para ter validade jurídica.
A rede de influência do Banco Master
O escândalo do Banco Master, com rombo estimado em mais de R$ 50 bilhões, expõe não apenas fraudes contábeis e inflação artificial de ativos, mas uma impressionante rede de conexões construída por Vorcaro junto aos Três Poderes da República.
Confinado há três meses, o ex-banqueiro promete detalhar em delação pagamentos a outras autoridades, incluindo membros do Judiciário e do Executivo. A possibilidade de uma delação abrangente transformou Brasília em um cenário de elevada tensão.
A meteórica ascensão de Vorcaro não foi obra apenas de competência empresarial. O banqueiro promovia festas que misturavam atrizes, modelos estrangeiras, políticos, juízes e empresários. Sua frota de jatos estava sempre à disposição de personagens influentes, e ele não economizava na distribuição de mimos a figuras das mais diversas correntes ideológicas.
O Judiciário também na mira
Além de Alcolumbre, Vorcaro citou em seus relatos um membro do Judiciário que teria recebido dele R$ 15 milhões, dentro de um negócio descrito como "completamente fora do padrão". Segundo o banqueiro, o pagamento foi efetuado por Fabiano Zettel, seu cunhado, que está preso e é acusado de ser o operador financeiro das principais transações ilegais do Master.
Vorcaro também se prontificou a contar detalhes da atuação de outro membro do Judiciário que, segundo ele, agiu secretamente na defesa dos interesses do banco quando a instituição já estava na iminência de ser liquidada pelo Banco Central.
Essas revelações se somam a rumores de citações a outras autoridades, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-governador do Rio Cláudio Castro e Antonio Rueda, presidente do União Brasil.
A guerra entre a defesa e os investigadores
A Polícia Federal e a PGR já rejeitaram duas propostas de delação de Vorcaro. A primeira, há cerca de três semanas, foi considerada superficial por se restringir a casos já sob investigação. A segunda, entregue na semana passada, também frustrou os investigadores.
De acordo com a defesa do ex-banqueiro, a recusa tem motivação política. Os advogados levaram ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), a reclamação de que PF e PGR não estariam interessadas em apurar denúncias graves, como o pagamento a Alcolumbre.
"A motivação dos investigadores para rejeitá-las seria política." — Defesa de Daniel Vorcaro, em reclamação ao STF.
A Polícia Federal, por sua vez, acusa Vorcaro de tentar usar a delação para inocentar amigos próximos e omitir informações. Segundo os investigadores, o banqueiro apresentou capítulos inteiros que isentavam personagens sobre os quais existem evidências concretas de participação nas fraudes.
A situação levou o ministro André Mendonça a não mais receber um dos advogados do banqueiro. Sempre questionado sobre o processo, Mendonça repete que não interfere nas investigações, mas tem alertado sobre a necessidade de o trabalho ser conduzido com "independência, imparcialidade e de forma não seletiva".
Os danos já causados: de Flávio Bolsonaro a Guido Mantega
A apuração do escândalo já causou danos à biografia de várias autoridades. O fundo de pensão dos funcionários do Amapá, por exemplo, comprou R$ 400 milhões em títulos podres do Master. O órgão era comandado por um ex-tesoureiro da campanha de Alcolumbre.
No telefone de Vorcaro, a polícia encontrou conversas com Alexandre de Moraes e um contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia da mulher do ministro. O ministro Dias Toffoli foi afastado do caso após se descobrir que foi sócio de uma empresa com negócios com o Master.
Mais recentemente, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, apareceu em gravação pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. A revelação interrompeu a ascensão do senador nas pesquisas e impulsionou seu principal adversário.
Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, tinha contrato de R$ 10 milhões com o Master. Em dezembro de 2024, levou Vorcaro para uma audiência com Lula no Palácio do Planalto, com a presença de Gabriel Galípolo, então futuro presidente do Banco Central, e do ministro Rui Costa.
O que está em jogo
Daniel Vorcaro pode esclarecer esses e outros episódios, envolver em suas revelações essas e outras autoridades. É isso que faz da série de segredos do Master um espectro que assusta e justifica o esforço de alguns para que o caso seja abafado.
Considerando o tamanho do rombo e as inúmeras evidências de negociatas, o Brasil espera que a investigação avance e seja feita justiça.
A pergunta que resta é inevitável: quantas carreiras políticas e reputações institucionais serão destruídas quando a delação finalmente for homologada e todos os nomes vierem à luz?
MAIS LIDAS
Em depoimento, motorista de Haddad muda de versão sobre ação da PM
Nome de operação da PF contra Lulinha incomoda entorno de Lula
Os nomes do PT que correm por fora para suceder Lula
PAINEL POLITICO (ALAN ALEX)
Alan Alex Benvindo de Carvalho, é jornalista brasileiro, atuou profissionalmente na Rádio Clube Cidade FM, Rede Rondovisão, Rede Record, TV Allamanda e SBT. Trabalhou como assessor de imprensa na SEDUC/RO foi reporte do Diário da Amazônia e Folha de Rondônia é atual editor do site www.painelpolitico.com. É escritor e roteirista de Programas de Rádio e Televisão. .