Zuckerberg: "Você pode deixar o Facebook quando quiser"

11 de abril de 2018 498

Com um segundo dia de interrogatório muito mais feroz, Mark Zuckerberg está a ser obrigado a responder a questões difíceis por parte da Casa dos Representantes. O CEO do Facebook afirmou categoricamente que a rede social não tem nada a ver com uma operação de vigilância, em resposta a questões do congressista Bob Rush.

"Você pode deixar o Facebook quando quiser", disse o executivo, frisando que todos os conteúdos publicados na rede social são da autoria dos utilizadores, que os publicam livremente. "Nunca vi uma organização de vigilância que deixa as pessoas irem-se embora", acrescentou.

A representante da Califórnia, Anna Eshoo, protagonizou uma das trocas de perguntas e respostas mais crispada da audiência e tentou levar Zuckerberg a comprometer-se com mudanças estruturais no Facebook, algo que não conseguiu. "Não sei o que isso significa", respondeu o executivo quando Eshoo perguntou se ele estava disposto a mudar o modelo de negócio para proteger melhor a privacidade dos consumidores.

Outro momento importante desta audiência foi o interrogatório do representante do Illinois John Shimkus, que pediu a Zuckerberg para clarificar a forma como o Facebook segue os utilizadores mesmo depois de estes fazerem log off. Ontem, no Senado, o CEO mostrou-se incerto sobre a resposta e remeteu explicações para mais tarde. Desta vez, deu uma explicação cuja linguagem não foi totalmente clara. "Monitorizamos informação sobre as pessoas quando não estão no Facebook por razões de segurança e por causa dos anúncios", disse Zuckerberg. Em termos de segurança, a ideia é evitar que quando alguém não fez login no Facebook recolha dados públicos da plataforma. "Mesmo que alguém não esteja ligado, monitorizamos a quantas páginas estão a aceder." Mais tarde, o executivo não soube dizer ao congressista Steve Scalise se estes dados também são usados para fins comerciais.

No que toca à monitorização para anúncios mesmo depois de fazer log off, a justificação é que a plataforma de publicidade do Facebook não se limita ao ecossistema da rede social. O CEO garantiu que as pessoas podem controlar essa parte e negar o acesso.

Perante Diana DeGette, representante do Colorado, Zuckerberg tropeçou nas respostas e mostrou não conhecer uma série de detalhes relacionados com incidentes no passado. Por exemplo, o CEO não se lembrava se tinha pago uma multa à FTC (Federal Trade Commission) em 2011, quando foi obrigado a assinar um acordo de proteção de privacidade que ainda está em vigor (e muitos consideram que foi violado por este escândalo). "Não pagou porque a FTC não tem esse poder", declarou DeGette. "O motivo pelo qual faço estas questões é que precisamos de multas robustas", afirmou, "senão continuaremos a ter estes abusos."

Mais tarde, o CEO afirmou considerar que o que aconteceu com a Cambridge Analytica não violou o acordo assinado com a FTC há sete anos.

Depois de uma sessão intensa no Senado, da qual Mark Zuckerberg saiu relativamente incólume, o CEO do Facebook está outra vez em Capitol Hill para enfrentar a Casa dos Representantes. O Comité para a Energia e Comércio está a conduzir a segunda audiência do congresso norte-americano, que procura perceber o que correu mal para que os dados pessoais de 87 milhões de pessoas tivessem sido apropriados indevidamente por uma consultora política, a Cambridge Analytica.

Zuckerberg abriu o seu testemunho repetindo as mesmas declarações preparadas que leu ontem.

Frente a dois comités do Senado, Mark Zuckerberg mostrou-se ontem contrito e humilde, assumindo repetidamente a responsabilidade pelo que aconteceu. Ainda assim, muitas das perguntas feitas pelos senadores aparentaram algum desconhecimento sobre a forma como o Facebook funciona, as regras que estão em funcionamento e o seu modelo de negócio.

A audiência começou às 10h00 de Washington, 15h00 de Portugal.

Transmissão ao vivo no canal do comité: