Alessandro Vieira briga com Marcos Rogério: 'Só reitera mentiras'

11 de agosto de 2021 58

(foto: Pedro França/Agência Senado)

Os senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Marcos Rogério (DEM-RO) bateram boca durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID, realizada nesta terça-feira (10/8). "A cada sessão ele reitera mentiras aqui", interrompeu Vieira durante a fala do governista.

Rogério repetiu que a CPI estava mais preocupada em investigar o governo federal, onde segundo ele, não existe corrupção, do que investigar estados e municípios. “A CPI perde tempo com depoimentos que não contribuem com nada, ficamos aqui cinco, seis horas, escutando uma coisa que não chega a lugar nenhum. A oposição quer acusar o governo Bolsonaro, mas quando vão apurar os fatos não acham nada”, afirmou o governista.

 

O senador ainda afirmou que a comissão “não reuniu nenhuma prova”. “Quem acompanha política, vê a diferença da acusação de corrupção do passado e a de hoje”, pontuou Marcos Rogério.

“Senhor presidente, pela ordem, reiterar a conduta de ofensa do senador Marcos Rogério e de desinformação aos brasileiros. Ele não é ignorante. Ele é bacharel em direito, imagino que tenha OAB também. Ele sabe bem que o crime de corrupção não exige o pagamento e a cada sessão ele reitera mentiras aqui. É preciso, caro Rogério, ter respeito aos colegas e respeito à verdade. Ao menos, respeito aos brasileiros”, pontua Alessandro. 

“Eu vou pedir aos senadores que parem de me atropelar”, disse Rogério. “Porque aqui tem gente (Alessandro Vieira) que parece que está em uma delegacia de polícia…”, afirma Rogério.

“Não, não senador… estou no Senado da República. Estou no Senado e aqui não toleramos a sabugosa. Respeite a lei”, disse Alessandro. 

“Respeite a lei Vossa Excelência", ataca Rogério. “Eu não minto”, responde Vieira.

Em seguida, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), desligou o microfone de Rogério.

Os senadores começam a debater e a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), que é governista, defendeu Alessandro Vieira. 

O dia da CPI

tenente-coronel da reserva Hélcio Bruno de Almeida, presidente da ONG Instituto Força Brasil, depõe nesta terça-feira (10/8), à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID, instalada pelo Senado. O militar é apontado como elo entre representantes da empresa Davati Medical Supply, que negociava a venda de vacinas, e o Ministério da Saúde. 

O requerimento para a sua convocação foi feito pelo vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). No documento ele cita que, em depoimentos à CPI, os representantes da empresa Davati no Brasil, Cristiano Carvalho e o policial militar Luiz Paulo Dominghetti, disseram que o coronel intermediou um encontro entre eles e o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco

O encontro teria acontecido no dia 12 de março, com a participação dos coronéis Cleverson Boechat Tinoco Ponciano, Marcelo Pires e o reverendo Amilton Gomes de Paula, da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), que depôs na última semana à CPI. 

O coronel Hélcio Bruno recebeu o direito de ficar em silêncio em questionamentos que possam incriminá-lo na sessão, após decisão da ministra  Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF).    

O que é uma CPI?

As comissões parlamentares de inquérito (CPIs) são instrumentos usados por integrantes do Poder Legislativo (vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores) para investigar fato determinado de grande relevância ligado à vida econômica, social ou legal do país, de um estado ou de um município. Embora tenham poderes de Justiça e uma série de prerrogativas, comitês do tipo não podem estabelecer condenações a pessoas.

Para ser instalado no Senado Federal, uma CPI precisa do aval de, ao menos, 27 senadores; um terço dos 81 parlamentares. Na Câmara dos Deputados, também é preciso aval de ao menos uma terceira parte dos componentes (171 deputados).

Há a possibilidade de criar comissões parlamentares mistas de inquérito (CPMIs), compostas por senadores e deputados. Nesses casos, é preciso obter assinaturas de um terço dos integrantes das duas casas legislativas que compõem o Congresso Nacional.

O que a CPI da COVID investiga?

Instalada pelo Senado Federal em 27 de abril de 2021, após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), a CPI da COVID trabalha para apurar possíveis falhas e omissões na atuação do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus. O repasse de recursos a estados e municípios também foi incluído na CPI e está na mira dos parlamentares.

O presidente do colegiado é Omar Aziz (PSD-AM). O alagoano Renan Calheiros (MDB) é o relator. O prazo inicial de trabalho são 90 dias, podendo esse período ser prorrogado por mais 90 dias.

CPI da COVID-19

Quem são os 11 senadores que investigarão as ações do governo federal no combate à pandemia

Todos

Omar Aziz (PSD-AM)

Independente

É o presidente da CPI. Está no segundo mandato como senador, foi governador do Amazonas, deputado estadual e vice-prefeito de Manaus. Critica o governo federal por não estabelecer um protocolo de atuação para conter a pandemia

Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

Oposição

É o autor do pedido de criação da CPI e vice-presidente da comissão. Está no segundo mandato como senador, é líder da oposição no Senado e já foi deputado federal pelo Amapá. É uma das principais vozes de oposição ao governo de Jair Bolsonaro no Congresso

Renan Calheiros (MDB-AL)

Oposição

Será o relator da CPI. Político experiente, já presidiu o Senado quatro vezes e está no quarto mandato na Casa. Chegou a ser condenado por improbidade administrativa, mas foi inocentado pelo TRF-1. Foi deputado federal constituinte, deputado estadual por Alagoas e ministro da Justiça. Diverge da postura do presidente Bolsonaro no combate à pandemia

Ciro Nogueira (PP-PI)

Governista

É presidente do PP e um dos líderes do Centrão no Congresso. Está no segundo mandato como senador e foi deputado federal em quatro legislaturas. Foi contrário à criação da CPI por achar que o colegiado poderá servir de palanque para as eleições de 2022. É defensor do presidente Jair Bolsonaro

Jorginho Mello (PL-SC)

Governista

Vice-líder do governo no Congresso, está no primeiro mandato como senador por Santa Catarina e foi deputado federal. É crítico de medidas restritivas como forma de enfrentamento à pandemia, defende o tratamento precoce contra o coronavírus e a atuação do governo federal

Eduardo Girão (Podemos-CE)

Governista

Está no primeiro mandato como senador e já foi presidente do Fortaleza Esporte Clube. Assim como Bolsonaro, é defensor de medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus e também quer a investigação de governadores e prefeitos

Marcos Rogério (DEM-RO)

Próximo ao governo

É líder do DEM no Senado e está no primeiro mandato como senador. Antes disso, foi deputado federal por Rondônia. É próximo ao presidente Jair Bolsonaro e defende a investigação de governadores e prefeitos

Humberto Costa (PT-PE)

Oposição

Está no segundo mandato como senador, foi deputado estadual e federal por Pernambuco e ministro da Saúde no governo Lula. Defende investigar o governo quanto a recomendação de remédios para tratamento precoce contra a COVID-19. É um dos principais críticos do governo federal

Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Próximo à oposição

Está no segundo mandato como senador e foi três vezes governador do Ceará. Critica o governo federal pela distribuição de medicamentos para tratamento precoce e defende a responsabilização dos culpados pela crise de oxigênio em Manaus

Otto Alencar (PSD-BA)

Próximo à oposição

Está no primeiro mandato como senador. Já foi deputado estadual, vice-governador e chegou a governar a Bahia em 2002. Apesar de fazer críticas ao governo federal, reconhece que pode ter ocorrido falhas de governadores e secretários de saúde na utilização de recursos

Eduardo Braga (MDB-AM)

Independente

Está no segundo mandato como senador. Também foi governador do Amazonas, deputado estadual (duas vezes) e ministro de Minas e Energia. É crítico do governo no combate à pandemia e acusou Pazuello de mentir sobre as causas da falta de oxigênio em Manaus

ARTE: SORAIA PIVA/EM/D.A PRESS

Saiba como funciona uma CPI

Após a coleta de assinaturas, o pedido de CPI é apresentado ao presidente da respectiva casa Legislativa. O grupo é oficialmente criado após a leitura em sessão plenária do requerimento que justifica a abertura de inquérito. Os integrantes da comissão são definidos levando em consideração a proporcionalidade partidária — as legendas ou blocos parlamentares com mais representantes arrebatam mais assentos. As lideranças de cada agremiação são responsáveis por indicar os componentes.

Na primeira reunião do colegiado, os componentes elegem presidente e vice. Cabe ao presidente a tarefa de escolher o relator da CPI. O ocupante do posto é responsável por conduzir as investigações e apresentar o cronograma de trabalho. Ele precisa escrever o relatório final do inquérito, contendo as conclusões obtidas ao longo dos trabalhos. 

Em determinados casos, o texto pode ter recomendações para evitar que as ilicitudes apuradas não voltem a ocorrer, como projetos de lei. O documento deve ser encaminhado a órgãos como o Ministério Público e a Advocacia-Geral da União (AGE), na esfera federal.

Conforme as investigações avançam, o relator começa a aprimorar a linha de investigação a ser seguida. No Congresso, sub-relatores podem ser designados para agilizar o processo.

As CPIs precisam terminar em prazo pré-fixado, embora possam ser prorrogadas por mais um período, se houver aval de parte dos parlamentares

O que a CPI pode fazer?

  • chamar testemunhas para oitivas, com o compromisso de dizer a verdade
  • convocar suspeitos para prestar depoimentos (há direito ao silêncio)
  • executar prisões em caso de flagrante
  • solicitar documentos e informações a órgãos ligados à administração pública
  • convocar autoridades, como ministros de Estado — ou secretários, no caso de CPIs estaduais — para depor
  • ir a qualquer ponto do país — ou do estado, no caso de CPIs criadas por assembleias legislativas — para audiências e diligências
  • quebrar sigilos fiscais, bancários e de dados se houver fundamentação
  • solicitar a colaboração de servidores de outros poderes
  • elaborar relatório final contendo conclusões obtidas pela investigação e recomendações para evitar novas ocorrências como a apurada
  • pedir buscas e apreensões (exceto a domicílios)
  • solicitar o indiciamento de envolvidos nos casos apurados

O que a CPI não pode fazer?

Embora tenham poderes de Justiça, as CPIs não podem:

  • julgar ou punir investigados
  • autorizar grampos telefônicos
  • solicitar prisões preventivas ou outras medidas cautelares
  • declarar a indisponibilidade de bens
  • autorizar buscas e apreensões em domicílios
  • impedir que advogados de depoentes compareçam às oitivas e acessem
  • documentos relativos à CPI
  • determinar a apreensão de passaportes
  • A história das CPIs no Brasil

    A primeira Constituição Federal a prever a possibilidade de CPI foi editada em 1934, mas dava tal prerrogativa apenas à Câmara dos Deputados. Treze anos depois, o Senado também passou a poder instaurar investigações. Em 1967, as CPMIs passaram a ser previstas.

  • Segundo a Câmara dos Deputados, a primeira CPI instalada pelo Legislativo federal brasileiro começou a funcionar em 1935, para investigar as condições de vida dos trabalhadores do campo e das cidades. No Senado, comitê similar foi criado em 1952, quando a preocupação era a situação da indústria de comércio e cimento.

    As CPIs ganharam estofo e passaram a ser recorrentes a partir de 1988, quando nova Constituição foi redigida. O texto máximo da nação passou a atribuir poderes de Justiça a grupos investigativos formados por parlamentares.

    CPIs famosas no Brasil

    1975: CPI do Mobral (Senado) - investigar a atuação do sistema de alfabetização adotado pelo governo militar
    1992: CPMI do Esquema PC Farias - culminou no impeachment de Fernando Collor
    1993: CPI dos Anões do Orçamento (Câmara) - apurou desvios do Orçamento da União
    2000: CPIs do Futebol - (Senado e Câmara, separadamente) - relações entre CBF, clubes e patrocinadores
    2001: CPI do Preço do Leite (Assembleia de MG e outros Legislativos estaduais, separadamente) - apurar os valores cobrados pelo produto e as diretrizes para a formulação dos valores
    2005: CPMI dos Correios - investigar denúncias de corrupção na empresa estatal
    2005: CPMI do Mensalão - apurar possíveis vantagens recebidas por parlamentares para votar a favor de projetos do governo
    2006: CPI dos Bingos (Câmara) - apurar o uso de casas de jogo do bicho para crimes como lavagem de dinheiro
    2006: CPI dos Sanguessugas (Câmara) - apurou possível desvio de verbas destinadas à Saúde
    2015: CPI da Petrobras (Senado) - apurar possível corrupção na estatal de petróleo
    2015: Nova CPI do Futebol (Senado) - Investigar a CBF e o comitê organizador da Copa do Mundo de 2014
    2019: CPMI das Fake News - disseminação de notícias falsas na disputa eleitoral de 2018
    2019: CPI de Brumadinho (Assembleia de MG) - apurar as responsabilidades pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão

 

Fonte: EM/ Ana Mendonça