Aliados de Ciro dizem que anotação de Flávio reforça aliança com PL no Ceará

26 de fevereiro de 2026 22

Aliados de Ciro Gomes (PSDB) ouvidos pela IstoÉ consideram que as anotações do senador Flávio Bolsonaro indicando apoio de seu partido, o PL, à candidatura do ex-presidenciável ao governo do Ceará reforçam o acordo firmado entre as siglas no estado.

O documento, revelado pelo jornal Folha de S. Paulo e intitulado “situação nos estados”, foi discutido em reunião da cúpula do PL e apresenta desenhos de chapas associadas à candidatura de Flávio à Presidência da República. O filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL) confirmou autoria das anotações.

Flavio Bolsonaro (PL-RJ) lançou pré-candidatura presidencial para 2026

Flávio Bolsonaro discutiu chapas estaduais com cúpula do PL em Brasília

No trecho referente ao Ceará, Ciro é listado como candidato ao governo do Ceará. O deputado estadual Alcides Fernandes (PL), o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União Brasil), a vereadora Priscila Costa (PL) e o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil), todos cotados ao Senado, também são citados na composição.

Ozires Pontes, prefeito de Massapê e antecessor de Ciro na presidência do diretório do PSDB-CE, disse que a menção ao ex-ministro de Lula (PT) “reafirma o projeto de oposição” do grupo, do qual “PL e André Fernandes [presidente estadual da legenda] fazem parte”. “Brasília está alinhada conosco”, afirmou à IstoÉ.

Articulador da pré-candidatura, o deputado estadual Claudio Pinho (PDT) relatou que o diálogo com o PL nunca foi interrompida a nível estadual, mas as anotações tornaram “explícito o desejo do senador Flávio, de Valdemar Costa Neto [presidente do PL] e André” de formarem a chapa. Procurado, Fernandes não comentou.

O deputado estadual Felipe Mota (União Brasil) disse à IstoÉ que o grupo entendeu que as anotações reacendem uma negociação estancada desde o final de 2025, quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) foi ao Ceará, declarou apoio à pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Palácio da Abolição e jogou a decisão sobre a aliança com Ciro para a direção nacional da sigla, frustrando a articulação estadual.

Onde Ciro fica na história

O ex-ministro não declara publicamente a intenção de concorrer novamente ao cargo, que ocupou entre 1991 e 1994, mas dá sinais neste sentido e tem adotado agenda de pré-candidato, reunindo-se diariamente com prefeitos, ex-prefeitos e parlamentares na sede estadual do PSDB.

Mesmo com quatro candidaturas presidenciais pela centro-esquerda e críticas duras a Bolsonaro no currículo, Ciro é encarado pela direita como o nome mais competitivo para enfrentar o atual governador, Elmano de Freitas, e romper um ciclo de três mandatos do PT no estado. Na chapa projetada, o PL terá prioridade para definir uma candidatura ao Senado.

Fonte: Leonardo Rodrigues