Auditoria revela “achados relevantes” e leva o STF a autorizar nova investigação da PF sobre operações do BRB
Relatório de auditoria independente enviado à PF e ao Banco Central motivou abertura de novo inquérito autorizado pelo STF, com apuração sobre possíveis prejuízos bilionários ao banco público do DF
A Polícia Federal (PF) abriu um novo inquérito para investigar suspeitas de gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB) , instituição financeira controlada pelo Governo do Distrito Federal (GDF) . A purificação se soma às investigações em andamento sobre a tentativa de aquisição do Banco Master e sobre transações envolvendo carteiras de crédito que geraram prejuízos significativos ao banco público.
A abertura do novo procedimento foi autorizada pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) , o ministro Dias Toffoli , e o processo foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para as providências cabíveis. A informação foi divulgada inicialmente pela colunista Miriam Leitão , do jornal O Globo , e confirmada por fontes com acesso aos automóveis.
Relatório forense e “achados relevantes”
Em nota oficial, o BRB informou que a primeira etapa da auditoria independente contratada pela instituição apresentou “achados relevantes”. O relatório preliminar, elaborado pelo escritório Machado & Meyer com suporte técnico da consultoria Kroll , foi entregue à Polícia Federal em 29 de janeiro de 2026 e, no dia seguinte, ao Banco Central do Brasil .
Segundo o comunicado, o banco afirmou estar adotando “medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais” para preservação ativa, recuperação de créditos e busca de ressarcimento de eventuais prejuízos relacionados às operações de investigação sob. Parte dessas medidas é tratada sob sigilo.
Antecedentes: tentativa de compra e carteiras de crédito
Ao longo de 2025 , o BRB tentou adquirir participação relevante no Banco Master , operação que contou com apoio do GDF , acionista controlador do banco público. A proposta, no entanto, foi barrada pelo Banco Central , órgão responsável pela supervisão do sistema financeiro nacional.
Paralelamente, a PF , o Ministério Público e o Banco Central passaram a apurar a compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB . O foco das investigações é verificar falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança das operações.
Em novembro de 2025 , uma operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público foi descoberta no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa , que posteriormente foi demitido.
Suspeitas de prejuízo e aporte do GDF
As investigações apontam que o BRB teria desembolsado R$ 12 bilhões na compra de carteiras de crédito que não pertenciam ao Banco Master e não possuíam garantias , o que pode ter gerado um prejuízo estimado de até R$ 5 bilhões .
Em nota divulgada em janeiro, o banco afirmou que o GDF sinalizou a possibilidade de um “aporte direto” para cobrir eventuais perdas decorrentes das transações questionadas.
O balanço financeiro do próximo mês deverá detalhar o impacto das negociações no resultado do banco.
Reuniões e contexto político
Nas últimas semanas, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) , declarou à TV Globo que se reuniu ao menos quatro vezes, entre 2024 e 2025, com o empresário Daniel Vorcaro , proprietário do Banco Master . Segundo o governador, a compra do Master pelo BRB não foi pauta desses encontros . A declaração integra o contexto político das investigações, mas não há, até o momento, imputação formal de irregularidade ao governador nos automóveis públicos.
CDBs, liquidez e empresa Tirreno
De acordo com as apurações da PF e do Banco Central , o Banco Master teria emitido R$ 50 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de juros acima das taxas de mercado , sem comprovar liquidez suficiente para honrar os títulos.
Para fortalecer a percepção de solvência, parte dos recursos teria sido aplicada em ativos inexistentes , por meio da compra de créditos de uma empresa chamada Tirreno . Esses créditos, adquiridos sem pagamento , foram revendidos ao BRB por R$ 12,2 bilhões , sem documentação adequada, no mesmo período em que a tentativa de compra do Master estava em análise pelos órgãos reguladores.
Liquidação do Banco Master
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 , após a autarquia identificar alto custo de captação e exposição a investimentos considerados de risco , com taxas de juros muito acima do padrão de mercado. Antes disso, houve tentativas de venda da instituição, todas canceladas em meio a questionamentos sobre transparência e pressões políticas , segundo consultas públicas.
Nota oficial do BRB
Em comunicado, o banco declarou:
“O BRB informa que encontrou achados relevantes que constam da etapa do relatório preliminar entregue por auditoria forense (...) Prezando pela primeira transparência e dever de colaboração com as autoridades competentes, (...) entregou o relatório à Polícia Federal (...) e ao Banco Central (...) O BRB ressalta que segue sólido e reafirma seu compromisso com a preservação de seu patrimônio, de seus clientes e do desenvolvimento econômico e social de Brasília e região.”
O que vem a seguir
Com o novo inquérito autorizado pelo STF e o envio do relatório à PGR , a expectativa institucional é de aprofundamento das diligências , incluindo análise de documentos, oitivas de envolvidos e cruzamentos de informações financeiras. Informações insuficientes para verificar prazos processuais específicos ou eventuais pedidos de novas medidas judiciais, que permaneçam sob sigilo.
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PAINEL POLITICO (ALAN ALEX)
Alan Alex Benvindo de Carvalho, é jornalista brasileiro, atuou profissionalmente na Rádio Clube Cidade FM, Rede Rondovisão, Rede Record, TV Allamanda e SBT. Trabalhou como assessor de imprensa na SEDUC/RO foi reporte do Diário da Amazônia e Folha de Rondônia é atual editor do site www.painelpolitico.com. É escritor e roteirista de Programas de Rádio e Televisão. .