Binance: Coreia do Norte nega roubo de US$ 6 bilhões em criptomoedas

3 de novembro de 2026 22
  • A Coreia do Norte negou as acusações do FBI de envolvimento no roubo de US$ 6 bilhões em criptomoedas da plataforma Binance.
  • Kim Yo Jong, irmã do líder Kim Jong Un, classificou as denúncias americanas como uma grave provocação política.
  • Pyongyang realizou testes com mísseis de cruzeiro equipados com novas ogivas de fragmentação, ampliando suas capacidades militares.

Kim Jong Un

(Foto: KCNA via KNS / AFP)

A Coreia do Norte rejeitou nesta terça-feira (03) as acusações dos Estados Unidos de envolvimento em um ataque cibernético que teria provocado o roubo de US$ 6 bilhões em criptomoedas da plataforma Binance. A manifestação ocorreu em meio a uma nova demonstração militar do país, que realizou testes com mísseis de cruzeiro estratégicos.

Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un, classificou a denúncia do FBI, a polícia federal americana, como uma “grave provocação política”. A declaração foi seguida pela divulgação de informações sobre os lançamentos realizados pelas Forças Armadas norte-coreanas.

As acusações surgiram após investigadores americanos atribuírem o ataque à atuação de um grupo de hackers que já havia sido associado a outros crimes envolvendo plataformas de moedas digitais.

FBI aponta grupo ligado à Coreia do Norte

No sábado, o FBI responsabilizou o grupo de hackers conhecido como TraderTraitor pelo ataque à Binance, considerada a maior plataforma de negociação de criptomoedas do mundo em volume diário de transações.

Segundo as autoridades americanas, a organização teria vínculos com o governo norte-coreano e também estaria envolvida no desvio de US$ 1,5 bilhão da plataforma Bybit, ocorrido em fevereiro do ano passado.

A repercussão do novo caso atingiu o mercado de ativos digitais. Na sexta-feira, a notícia da invasão provocou uma queda acentuada nos preços de grande parte das principais criptomoedas.

Especialistas avaliam que, caso a dimensão do prejuízo seja confirmada, o episódio poderá representar o maior roubo de criptomoedas já registrado.

Michael Bosack, diretor fundador do Parley Policy Institute, afirmou à AFP que a quantia supostamente desviada corresponde a “quase um quarto do PIB anual estimado” da Coreia do Norte.

Pyongyang contesta denúncias americanas

Ao responder às acusações, Kim Yo Jong afirmou que a posição apresentada pelo FBI constitui uma “retórica absurda e nada de novo”. A representante norte-coreana fez referência às denúncias anteriores de Washington sobre a suposta participação de hackers do país no ataque à Bybit.

Na avaliação de Bosack, a reação de Pyongyang pode estar relacionada à dimensão internacional alcançada pelo episódio. O especialista considera que a negativa também busca evitar restrições aos meios utilizados pelo país para movimentar e converter criptomoedas.

Segundo ele, eventuais medidas internacionais contra esses canais poderiam dificultar o aproveitamento dos valores supostamente obtidos por meio de ataques virtuais. “Se as partes externas começarem a fechar as portas devido à pressão internacional sobre o assunto, então a criptomoeda roubada não servirá para apoiar as prioridades de curto prazo do regime de Kim”, explicou o analista.

Coreia do Sul defende reforço na segurança digital

As denúncias também provocaram uma reação do governo sul-coreano, que passou a defender medidas mais rigorosas de proteção da infraestrutura digital diante do avanço das ameaças cibernéticas.

O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, mencionou o ataque à Binance ao abordar os riscos enfrentados por grandes sistemas financeiros e plataformas digitais.

“Há pouco tempo, até mesmo a maior plataforma de comercialização de criptomoedas do mundo sofreu perdas astronômicas devido a um ciberataque que se acredita ter sido executado por um grupo de hackers”, declarou.

O presidente também alertou para as dificuldades dos mecanismos tradicionais de segurança diante do desenvolvimento de ferramentas tecnológicas capazes de tornar as invasões mais complexas.

“À medida que as técnicas dos hackers se tornam cada vez mais inteligentes, sofisticadas e comuns com o desenvolvimento da inteligência artificial, os sistemas de segurança existentes, centrados em inspeções e respostas posteriores aos incidentes, revelam limitações claras”, afirmou.

Coreia do Norte testa mísseis com novas ogivas

Paralelamente à disputa envolvendo o ataque cibernético, a Coreia do Norte realizou, na segunda-feira (2), testes com mísseis de cruzeiro estratégicos equipados com um novo tipo de ogiva de fragmentação.

As informações foram divulgadas nesta terça-feira pela agência estatal norte-coreana KCNA, que apresentou detalhes sobre a capacidade de destruição e as características dos armamentos.

“A ogiva de dispersão de tamanho médio acoplada ao míssil de cruzeiro é capaz de reduzir a cinzas uma área-alvo de 5 a 6 hectares com sua potência de densidade máxima”, informou a agência.

De acordo com a KCNA, o lançamento também serviu para avaliar alterações na trajetória final dos projéteis, destinadas a melhorar a precisão dos ataques.

O teste “aperfeiçoou a capacidade de lançar um ataque vertical contra o alvo ao melhorar as manobras terminais do míssil de cruzeiro”, afirmou o veículo eatal.

Uma fonte do governo norte-coreano justificou a operação afirmando que as “Forças Armadas devem defender a segurança do país e dissuadir todo tipo de ameaças”.

Especialistas avaliam objetivos militares dos lançamentos

Para Lim Eul-chul, professor do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Universidade de Kyungnam, os novos equipamentos ampliam a capacidade norte-coreana de atingir instalações militares estratégicas.

Em declaração à AFP, o especialista explicou que Pyongyang busca demonstrar potencial para comprometer estruturas utilizadas pelas forças americanas e sul-coreanas, como pistas de aeroportos, sistemas de radar, baterias de defesa aérea e concentrações de tropas.

Na avaliação do professor, o desenvolvimento dos mísseis também faz parte de uma estratégia de “dissuasão dupla” voltada à Coreia do Sul.

O conceito envolve o fortalecimento de armamentos convencionais capazes de representar uma ameaça militar significativa antes de uma eventual utilização de armas nucleares. demonstração ocorre em um período de sucessivos testes realizados pela Coreia do Norte, que possui arsenal nuclear e vem apresentando diferentes sistemas de combate.

Entre os equipamentos recentemente testados pelo país estão drones de ataque, um novo sistema de torpedos guiados de precisão e um míssil hipersônico de alcance intermediário.

As iniciativas evidenciam duas frentes distintas de tensão envolvendo Pyongyang: as acusações americanas sobre atividades cibernéticas e o desenvolvimento de armamentos destinados a ampliar sua capacidade militar.

Fonte: Da Redação, com AFP