Bolsonaro disse que esquema de Guedes e Campos Neto é “fruto da corrupção”… em 2003

5 de outubro de 2021 198

Jair Bolsonaro (Sem partido) já classificou como “assalto”, “fruto da corrupção” o esquema montado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de criar empresas offshore em paraísos fiscais para alocar dinheiro e lucrar com a valorização do dólar.

No entanto, a declaração foi dada pelo então deputado Jair Bolsonaro em 2003. Sobre o caso dentro de seu governo, o presidente segue calado.

Em discurso no dia 10 de setembro daquele ano, registrado nas notas taquigráficas da Câmara, Bolsonaro disse que “a elite política assalta o contribuinte, envia o dinheiro para um paraíso fiscal, que aplica no Brasil, e as autoridades que assaltaram o país fazem gestões para que os juros sejam mantidos altos”.

O discurso mirava o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, após suspeitas de que ele tinha aplicações na Suíça.

“Márcio Thomaz Bastos, que tem US$ 13 milhões investidos lá fora, pode ganhar por ano quase 15% sobre isso, ou seja, mais de US$ 1,5 milhão por ano. Essa é a grande verdade dessa ciranda financeira, fruto da corrupção”, afirmou.

Pandora papers

O procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras, abriu nesta segunda-feira (4) uma “apuração preliminar” sobre a notícia de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, possuem offshores nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal no Caribe. Offshore é o termo usado para se referir empresas e contas bancárias abertas em territórios onde há menor tributação.

Segundo revelação feita na série Pandora Papers, investigação conduzida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), Guedes ainda mantém a offshore, algo que não poderia fazer enquanto ministro.

As denúncias contra o ministro da Economia apontam que ele pode ter lucrado R$ 14 milhões com a valorização do dólar, somente durante o seu mandato à frente da pasta. A Lei de Conflito de Interesses proíbe esse tipo de comportamento. Se o ministro fez investimentos internacionais por meio de sua empresa enquanto já estava no cargo, cometeu crime.

Fonte: REVISTA FÓRUM/PLINIO TEODORO