“Bolsonaro não é conservador, é abusador midiático”, diz Márcia Tiburi
Reportagem de Giovanna Galvani na CartaCapital.
Golden shower, Elsa lésbica, Bob Esponja gay, abraço hétero e o já antigo ‘kit gay’. De cunho conservador e cristão, este é o governo que mais fala sobre sexo – e não para desmistificá-lo, o que seria bem-vindo. A insistência em atacar a sexualidade evidencia, segundo especialistas, o viés autoritário da ideologia de Bolsonaro.
As declarações dos integrantes do bolsonarismo, cujo protagonista é o responsável por levar a obsessão ao Palácio do Planalto, dão palanque para polêmicas que geram desgastes, baixa articulação e desmandos em todo o espectro político. É a ‘balbúrdia’ como estratégia de governo. Com o escândalo propagado às milícias digitais, a culpa é do corpo do outro.
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Para a filósofa Marcia Tiburi, o próprio apelido de ‘mito’ do presidente explica como ele age para garantir seu ponto de vista – mesmo soando contraditório para um político evangélico. “Bolsonaro não é conservador. É um abusador midiático. Tem um conjunto de ideias prontas e as transmite para as pessoas pela mistificação”, diz.
Exibir, apontar e julgar seria o jogo político no qual o governo vem se apoiando. O ‘gente pelada no campus’ de Weintraub, que justificou num primeiro momento os cortes nas universidades, é um exemplo do perfil exibicionista que acomete todo o time da base governista.
“Mostrar o órgão sexual, uma cena obscena e causar no outro o espanto e o terror é uma forma de perversão, no sentido de inverter o jogo e o contexto original”, diz Tiburi. “É o método de governo. Para implantar com radicalidade um extremismo ultraneoliberal, é preciso transformar a população em fascista.”
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