Mostrou em um acervo de processos a sintonia entre os submundos da corrupção política e o da lavagem de lucros obtidos no narcotráfico, contrabando de armas e jogos ilícitos, entre outros. Pouco variam os personagens, os meios e as rotas.
O poder da indústria de drogas é essencialmente econômico, e esta, também, é a sua vulnerabilidade. A abordagem militarista adotada a partir dos anos 80 levou a uma guerra frontal das polícias com o narcotráfico nas ruas das maiores cidades. O resultado está aí, no quadro geral de insegurança pública.
É hora de revisão da estratégia, com uso efetivo de instrumentos de inteligência, principalmente financeira, disponíveis no governo, mas operados de maneira desconexa. Podem estar na base da reestruturação das polícias, combinados ao fortalecimento das corregedorias e perícia científica. Complemento vital é o saneamento do sistema prisional, ponto central da recente expansão da indústria do crime.”