Calendário do saque do auxílio emergencial: Caixa coloca vigilantes para organizar filas
Nesta quarta-feira (dia 29), o saque do auxílio emergencial de R$ 600 — oferecido pelo governo federal por conta da pandemia do novo coronavírus — pode ser feito pelos nascidos em maio e junho, que já receberam o crédito na poupança social digital aberta pela Caixa Econômica Federal. O dinheiro está disponível em caixas eletrônicos, casas lotéricas e correspondentes bancários Caixa Aqui. O banco informou colocado mais vigilantes e recepcionistas nas unidades para organizar o atendimento.
Quem aniversaria em julho e agosto será contemplado nesta quinta-feira (dia 30 de abril). Os que comemoram em setembro e outubro poderão fazer a retirada na próxima segunda-feira (dia 4 de maio). Já os que fazem aniversário em novembro e dezembro poderão fazer o saque na terça-feira (dia 5 de maio).
Para ter o dinheiro em mãos, é preciso atualizar o aplicativo Caixa Tem, fazer o login, selecionar a opção “Saque sem cartão” e informar o valor a ser retirado. O app vai gerar um código autorizador para a retirada, com validade de apenas duas horas.
O que diz a Caixa
Em nota, a Caixa afirma que “visando a otimizar o atendimento e a organização das filas, alocou 2.800 novos vigilantes e aumentou o número de recepcionistas para reforçar a orientação ao público”. O banco informou ainda que abrirá 800 agências no próximo sábado, dia 2 de maio, em todas as regiões do país, das 8h ao meio-dia, mas apenas para serviços essenciais (como saque do seguro-desemprego, retirada do Bolsa Família sem cartão, desbloqueio de senhas etc.). Não haverá pagamento de auxílio emergencial no guichê de caixa.
A instituição lembrou que a prioridade ainda é manter o atendimento digital, por meio do cadastramento por aplicativo e site, e a movimentação do benefício pelo Caixa Tem. "Desta forma, o banco reforça o pedido para que a população só se dirija às agências e casas lotéricas em último caso", concluiu.
Sem direito à retirada
Nesta terça-feira, um levantamento da Caixa Econômica Federal apontou que apenas uma cada cinco pessoas que buscaram as agências presencialmente no dia anterior tinha direito, naquela data, ao saque do auxílio emergencial. Desinformação e erros nos sistemas digitais são alguns dos motivos que levam esses cidadãos a irem para as ruas, mesmo sabendo do risco de contágio pelo coronavírus.
Segundo o banco, as filas enormes são formadas, em grande maioria, por pessoas que não fazem parte do público-alvo do atendimento presencial, ou seja, não são clientes em busca de serviços essenciais (como saque do seguro-desemprego, retirada do Bolsa Família sem cartão, desbloqueio de senhas etc.). A maior parte dos que se aglomeraram nas agências também não tem saque em espécie previsto no dia, de acordo com o aniversário.

Nesta terça-feira, Antonio da Silva, de 56 anos, e a mulher dele, Valderice, de 60, saíram de casa ainda no fim da madrugada rumo a uma agência da Caixa em Niterói. Eles garantem estar respeitando em suas rotinas a recomendação de isolamento para frear o avanço da Covid-19, mas consideraram a ida ao banco uma emergência. De máscaras, esperaram desde as 5h na porta para fazerem suas inscrições para o recebimento do auxílio emergencial, um procedimento que eles deveriam ter cumprido apenas pela internet, mas não sabiam.
— Eu trabalhava como jardineiro, mas fiquei desempregado há seis meses. E ela era empregada doméstica, mas está desempregada há dois anos. Estávamos sobrevivendo de bicos. Mas isso também parou por conta do coronavírus. Eu preciso desse dinheiro para comprar feijão e macarrão — contou ele, que, com ajuda de uma funcionária, anotou o endereço do site para fazer o procedimento pela internet.
Na Baixada Fluminense
As aglomerações também aconteceram nas agências da Caixa pelas cidades da Baixada Fluminense, nesta terça-feira. Muitas pessoas sequer usavam máscaras.
Desempregada e mãe de dois filhos, Graziele Ferreira, de 31 anos, chegou às 7h30 a uma agência no Centro de Nova Iguaçu. Quase duas horas depois, a fila já se estendia por quase 250 metros. Somente por volta das 13h, ela conseguiu realizar o saque do auxílio emergencial.
— É muito confusa a organização da fila. Ninguém orienta. Então só resta esperar. Estou passando por uma situação difícil em casa e preciso desse dinheiro — afirmou Graziele.
Em Belford Roxo, também nesta terça-feira, a fila na agência da Avenida José Mariano dos Passos, no Centro, chegava a quase 400 metros. Para tentar ser uma das primeiras, Telma Garcia Alves, de 40 anos, chegou de madrugada, às 3h. Antes de ser atendida, ela lamentou:
— Quando cheguei, já tinham umas 50 pessoas na minha frente. Até agora, a Caixa não atualizou minha situação, mas vim assim mesmo. Quero resolver logo isso. Tenho filhos e não sei mais o que fazer.