Campanha eleitoral
A pergunta "O fundo especial para financiamento de campanhas deve ser extinto?", apresentada pela Folha (2/3) na coluna "Tendências/Debates), é de fundamental importância para melhorarmos nosso País, visto que o sucesso de uma nação democrática é a lisura das eleições e a escolha de candidatos honestos e competentes. O senador Major Olimpio (PSL-SP) responde ser a favor da extinção do que ele chama de "fundão da vergonha", enquanto o petista Jacques Wagner defende sua manutenção por propiciar recursos a candidatos desprovidos de meios econômicos. Hipocrisia à parte, a verdade é que, no fim e ao cabo, as duas formas de financiamento das campanhas de nossos políticos, fundo partidário ou colaboração oficial de empresários, banqueiros e capitalistas, oneram os cofres públicos pela manipulação da máquina estatal. É o "mecanismo" em funcionamento!
A meu ver, não há outra solução a não ser uma profunda reforma política que reduza partidos e custos de campanhas eleitorais. O regime político que vigora no Brasil não vem respeitando a vontade do nosso povo, pois não são os homens mais votados que tem o poder de dirigir o País. Na prática, devido à fragmentação dos partidos, são as legendas nanicas que acabam dirigindo a Nação. Se o partido "A" recebe 40% dos votos, o "B" 30% e o "C" 15%, será este último (ou vários pequenos coligados), a ser o fiel da balança. O partido mais votado, não tendo maioria absoluta, tem que barganhar seu apoio com outros partidos. Para que qualquer projeto de lei possa ser aprovado ou emendas parlamentares liberadas é preciso fazer concessões, distribuir cargos e privilégios, pondo em prática o famoso ditado franciscano "é dando que se recebe", que está em conluio com o maquiavélico "o fim justifica os meios". Já passou da hora de pensarmos na adoção de um Parlamentarismo com apenas dois partidos, um direcionado mais para a direita (liberal) e outro mais para a esquerda (social), os candidatos a cargos públicos sendo escolhidos não pelos chefões dos partidos, mas por eleições primárias entre os filiados. As prévias são exigidas em todas as nações que se queiram democráticas.
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Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
www.salvatoredonofrio.com.br
http://pt.wikisource.org/wiki/Autor:Salvatore_D%E2%80%99_Onofrio