“Capitã cloroquina” enviou apenas 0,1% de médicos interessados em atuar em estados
(Foto: Júlio Nascimento/PR)
Secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, a “capitã cloroquina”, que depõe nesta terça-feira (25) à CPI da Covid-19, enviou apenas 0,1% dos 454,2 mil médicos que se cadastraram no programa “O Brasil conta comigo”, criado pelo governo e gerenciado por ela para recrutar profissionais de saúde para atuar na pandemia.
Segundo informações de Renata Mariz, na edição desta terça-feira (25) do jornal O Globo, mais de 1 milhão de profissionais de saúde se cadastraram no programa, sendo que 454,2 mil se colocaram à disposição. No entanto, o governo enviou apenas 518 profissionais a estados do Norte – 0,1% -, onde existe o maior déficit.
Os dados contrapõem o depoimento do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que mentiu à CPI do Genocídio, dizendo que o programa disponibilizou 6,5 mil profissionais de saúde para a região Norte. O próprio ministério informou que não sabe dizer quantos profissionais foram contratados pelos governos locais.
“Capitã cloroquina”
Protegida com um habeas corpus que permite que fique em silêncio, Mayra Pinheiro será indagada na CPI do Genocídio sobre a crise sanitária pela falta de oxigênio em Manaus e o aplicativo TrateCov – que recomendava uso de hidroxicloroquina até mesmo a crianças e gestantes.
O próximo a ser ouvido pela CPI seria o ex-secretário executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco Filho. A oitiva havia sido agendada para quinta-feira, mas ele alegou que teve contato com pessoas contaminadas pela Covid-19 e seu depoimento deve ser adiado.
Os parlamentares também devem definir na quarta datas de depoimentos de outras testemunhas. A lista já aprovada tem mais dez nomes, entre os quais o do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, e da médica e defensora da cloroquina, Nise Yamaguchi. Além deles, ao menos 12 prefeitos e governadores podem ser convocados para depoimentos.