Com chapa Tarcísio-Michelle descartada, Flávio Bolsonaro ganha protagonismo no clã
O encerramento do prazo de desincompatibilização no último sábado, 4, eliminou uma das hipóteses mais ventiladas no campo da direita: a formação de uma chapa presidencial entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Michelle Bolsonaro (PL). Sem renunciar ao cargo, Tarcísio inviabilizou a composição, que vinha sendo discutida internamente como alternativa de convergência entre setores do bolsonarismo e aliados mais pragmáticos.
A definição dos papéis não pacificou o ambiente interno no clã bolsonarista. A ex-primeira-dama demonstrava preferência pela candidatura de Tarcísio, de quem cogitou ser vice, o que tiraria do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) o protagonismo na direita.
Sem Michelle na disputa presidencial, o senador segue na disputa ao Planalto. Da mesma forma, Carlos Bolsonaro mantém a disposição de concorrer ao Senado por Santa Catarina, enquanto Eduardo Bolsonaro, apesar de ter sido cassado, permanece elegível e apto a disputar as eleições.
Michelle é candidata competitiva ao Senado pelo Distrito Federal, com desempenho consistente em levantamentos mais recentes. De todos os integrantes da família, hoje seria a única com garantia de mandato, segundo pesquisas, caso realmente aceite o papel de coadjuvante nas eleições. Existe a hipótese de que prefira permanecer apenas como protagonista na vida reclusa de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar temporária até o mês de junho.