CPI do Crime Organizado rejeita relatório que pedia indiciamento de ministros do STF

15 de abril de 2026 24

Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado rejeitou nesta terça, 14, o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A delegação investigava o crescimento das facções e milícias no Brasil e foi anunciada em 2025 após a chacina policial que deixou 121 mortos nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.

No texto final apresentado nesta terça, o senador ainda pediu o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias ToffoliAlexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do chefe do Ministério Público Federal (MPF), Paulo Gonet. O foco central das acusações recaiu sobre a atuação das autoridades no caso do Banco Master.

Ao fim da leitura e debate do texto, o parecer foi rejeitado por seis votos a quatro.

Prevista inicialmente para o período da manhã, a reunião final foi adiada para a tarde. Na retomada dos trabalhos, os governistas conseguiram mudar parte dos integrantes do colegiado. Saíram senadores que votariam a favor do documento e entraram no lugar deles parlamentares orientados a dar o voto contrário.

Acusações contra o Judiciário

O relatório aponta que o ministro Dias Toffoli teria proferido julgamentos em situação de suspeição objetiva. A CPI do Crime identificou uma transação financeira de R$ 3,1 milhões entre a empresa Maridt Participações, da qual o ministro é sócio, e um fundo controlado por Fabiano Zettel, cunhado do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo o texto, Toffoli teria agido para blindar investigados, impondo sigilo máximo aos autos e determinando a soltura de Vorcaro após sua prisão por risco de fuga.

Já o ministro Alexandre de Moraes é alvo de pedido de indiciamento devido a contratos de prestação de serviços mantidos pelo escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master. Conforme o relatório, o escritório teria recebido cerca de R$ 80,2 milhões entre 2024 e 2025. A CPI sustenta que o magistrado deveria ter se declarado impedido de atuar em causas de interesse da instituição financeira.

O ministro Gilmar Mendes é acusado de proceder de modo incompatível com o decoro do cargo por anular decisões de quebra de sigilo aprovadas pelo colegiado da CPI. O relatório afirma que o ministro utilizou manobras processuais para neutralizar investigações parlamentares que atingiam a empresa da família de Toffoli.

 

Fonte: Por Da IstoÉ com Agências