Créditos de R$ 13,3 bilhões da Tirreno vendidos ao BRB não tinham lastro, diz auditoria
A auditoria independente realizada no Banco de Brasília (BRB) pela Machado Meyer, em parceria com a Kroll, confirmou que R$ 13,3 bilhões em créditos da Tirreno vendidos pelo Master ao BRB eram “total ou majoritariamente desprovidos de lastro”.
Ao deflagrar a primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, a Polícia Federal indicava que ao menos R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito de terceiros eram fraudadas. Agora, a auditoria independente contratada pelo BRB confirma que o valor é maior.
“A Tirreno não possui atividade econômica compatível com sociedade de crédito, tampouco autorização do Bacen para operar como instituição financeira, e os contratos compartilhados pelo Master foram assinados manualmente, sem registro cartorário adequado. Também foram identificados 16 contratos já inadimplidos no momento da cessão ou com titulares falecidos, cujo valor está em apuração”, apontou o Machado Meyer em ação com pedido de indenização na qual representa o BRB.
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A Kroll identificou a sobreposição operacional entre as empresas Tirreno, Cartos e Master. André Maia, ex-funcionário do Master, tornou-se diretor da Tirreno em dezembro de 2024.
Pelo menos até junho do mesmo ano, Maia havia atuado como diretor e sócio da Cartos, “evidenciando continuidade funcional entre os agentes responsáveis pela origem, financiamento e circulação das carteiras fraudulentas”, segundo a auditoria.
Recém-criada
A Tirreno Consultoria foi criada um mês antes de assinar contrato com o Banco Master. Segundo as investigações da Polícia Federal, para resolver o problema da insolvência do banco, o Master “adquiriu” créditos de terceiros para repassá-los a parceiros comerciais sem coobrigação, desviando de limites legais. O Master não teria feito o pagamento, de acordo com a apuração.
O banco assinou um contrato de “parcerias e outras avenças” com a Tirreno Consultoria, em dezembro de 2024. A empresa se chamava SX 016 Empreendimentos e Participações, criada em 4 de novembro de 2024. Um mês depois, em 2 de dezembro, a Tirreno alterou a atividade econômica, o nome e o capital social para R$ 30 milhões. Somente três dias depois, em 5 de dezembro, a Tirreno fechou o acordo com o Master para a venda de carteiras de créditos.
A PF descobriu que a Tirreno, recém-criada, registrou 182 mil operações operações de crédito com 151 mil clientes, mas não há qualquer movimentação financeira da empresa identificada pelo Banco Central para esses negócios, o que reforça a indicação de fraude.