Daniel Vorcaro, do Master, articulou ações violentas para coagir adversários

4 de março de 2026 22

247 - A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar a prisão de Daniel Vorcaro nesta quarta-feira (4) está relacionada a mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro que apontam planejamento de atos violentos contra pessoas consideradas adversárias por ele, incluindo jornalistas, relata Lauro Jardim, do jornal O Globo.

A prisão preventiva foi solicitada pela Polícia Federal após a identificação de conversas em um grupo de WhatsApp chamado “A turma”, onde teriam sido discutidas ações violentas contra determinados alvos. As mensagens indicariam que Vorcaro participou das conversas e, em pelo menos um caso, autorizou que uma ação fosse levada adiante.

Um dos planos envolvia a contratação de pessoas para simular um assalto contra a vítima escolhida. A encenação serviria de pretexto para a prática de agressões físicas contra o alvo definido pelo grupo.

As investigações também apontam que o grupo reunia pessoas com diferentes vínculos institucionais. Entre os participantes estariam um ex-diretor do Banco Central, um ex-chefe de departamento da mesma instituição e um policial civil, que, segundo as informações apuradas, teria a função de executar ou encaminhar as ações de caráter miliciano autorizadas por Vorcaro.

Outro integrante do grupo seria Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro, que também participava das discussões no aplicativo de mensagens. Zettel é pastor da igreja Lagoinha em Belo Horizonte e foi o sexto maior doador das eleições de 2022 e o maior doador pessoa física da campanha para governador de São Paulo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e de Jair Bolsonaro (PL).

A análise do conteúdo encontrado no telefone de Vorcaro foi um dos elementos que embasaram o pedido de prisão preventiva apresentado pela Polícia Federal e posteriormente aceito pelo ministro André Mendonça. As mensagens, segundo os investigadores, indicariam não apenas a discussão de planos, mas também a autorização para que determinadas ações violentas fossem executadas.

A investigação continua em andamento e novas etapas da apuração devem aprofundar o papel de cada um dos participantes do grupo identificado pela Polícia Federal.

Fonte: Guilherme Levorato