Declarações de Villas Bôas sobre “limite” caso Lula fosse solto incomodam ministros do STF

13 de novembro de 2018 247

declaração do general Villas Bôas de que as Forças Armadas quase chegaram ao “limite”, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebesse habeas Corpus, incomodou ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). O general disse, no último domingo à Folha, que o Exército passou por um momento delicado quando a corte votou (e rejeitou) o habeas corpus que evitaria a prisão de Lula.

As frases, de acordo com a coluna de Mônica Bergamo desta terça-feira (13), foram entendidas como uma insinuação de que o Exército poderia ter feito algum tipo de intervenção se Lula ficasse solto.

 

Ministros da casa trocaram mensagens entre si lembrando a manifestação do decano do tribunal, Celso de Mello, no julgamento do habeas corpus, em que repeliu o pronunciamento do general.

Sem citar Villas Bôas, ele disse na ocasião que, em situações graves, “costumam insinuar-se” pronunciamentos “que parecem prenunciar a retomada, de todo inadmissível, de práticas estranhas (e lesivas) à ortodoxia constitucional, típicas de um pretorianismo que cumpre repelir”.

Mello disse ainda que as declarações lembravam a de Floriano Peixoto, no século 19: “Se os juízes concederem habeas corpus aos políticos, eu não sei quem amanhã lhes dará o habeas corpus de que, por sua vez, necessitarão”.

Ainda de acordo com a coluna, o general Hamilton Mourão, vice-presidente eleito na chapa de Jair Bolsonaro (PSL-RJ), descarta qualquer risco de politização dos quartéis durante o novo governo.

Questionado, o general Mourão também comentou o fato. Se Lula seguisse solto, diz ele, “seria um ato unilateral do STF. Haveria uma revolta no conjunto da nação. Mas a decisão teria que ser aceita”.