“Eu amo Israel”, diz Bolsonaro ao chegar para visita oficial ao país
Em uma manhã fria e chuvosa de outono, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) desembarcou em Jerusalém, capital política de Israel. Após lembrar das suas duas passagens pelo país, uma na qual foi batizado e a outra já em pré-campanha para a presidência, ele destacou que os objetivos da visita eram aumentar a cooperação entre Brasil e Israel.
O presidente afirmou que a visita é um retorno à relação que os dois países historicamente desenvolveram. Depois de chamar o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de “irmão”, ele disse, em hebraico: “Eu amo Israel”.
“Meu governo está firmemente decidido em fortalecer a parceria entre Brasil e Israel. A amizade entre nossos povos é histórica. Tivemos um pequeno momento de afastamento. Mas Deus sabe o que faz. Voltamos”, disse, em referência velada ao período petista, no qual o Brasil se aproximou de países o Irã, inimigo declarado de Israel. “Finalmente retornamos ao tratamento equilibrado das questões do Oriente Médio”, prosseguiu.
Bolsonaro pregou, em seu discurso, o fortalecimento da relação bilateral dos países. “A cooperação nas áreas de defesa e segurança interessam muito ao Brasil. Pretendemos aproximar nossos povos, nossos militares, nossos estudantes, nossos cientistas, nossos empresários e nossos turistas”, disse.
Pouco antes, ao citar o ataque que sofreu durante a campanha, Bolsonaro afirmou ser um milagre estar vivo e citou o capítulo 8, versículo 32 do evangelho de João. “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”.
Chegada
O presidente Jair Bolsonaro chegou no avião oficial do governo brasileiro pontualmente às 10h da manhã de Israel (4h da manhã no Brasil). Os quatro ministros que acompanham a comitiva, Augusto Heleno (Segurança Institucional), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e Bento Albuquerque (Minas e Energia), desceram pela porta de trás do avião.
Bolsonaro foi recepcionado, na porta da frente, pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Ao desembarcar, a orquestra do exército israelense tocou o hino brasileiro. Bolsonaro, com a mão no coração, ficou ao lado do chefe de governo de Israel e sua esposa. Na sequência, foi executado o hino israelense. O presidente brasileiro manteve a mão no coração.
O próximo passo foi a revista conjunta das tropas de Israel. Depois de revistar os armamentos de um dos militares, as autoridades presentes, de ambos os países, foram cumprimentadas e Netanyahu fez o primeiro discurso. Apesar de a expectativa ser de um pronunciamento em inglês, ele falou apenas em hebraico. Bolsonaro falou na sequência. Ambos se pronunciaram por cinco minutos.
Busca no aeroporto
A recepção de Benjamin Netanyahu a Jair Bolsonaro no aeroporto é uma deferência que somente outros quatro chefes de estado tiveram da atual administração. No poder desde 2009, o primeiro-ministro recebeu o atual presidente norte-americano, Donald Trump, e o antecessor, Barack Obama, no local. Além deles, o próprio papa Francisco teve essa recepção e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que retribuiu a gentileza em visita de Netanyahu, no ano passado, à Índia.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), primeiro e último mandatário brasileiro a visitar Israel, em 2010, não recebeu a mesma deferência. Na época, o então chefe de Estado brasileiro foi recebido por Shimon Perez, presidente de Israel, na residência oficial. Netanyahu já era primeiro-ministro, mas não dedicou essa atenção a Lula.
Israel é governado por um sistema parlamentarista, no qual o chefe de Governo é o primeiro-ministro e o chefe de Estado, com menos atribuições, o presidente.
Segundo a assessoria de imprensa da comitiva de Bolsonaro em Israel, a recepção faz parte da agenda encaminhada pela equipe do primeiro-ministro israelense.
Agenda
Após a chegada de Bolsonaro, ele agora segue para um almoço conjunto com Netanyahu. Depois, os dois terão um encontro privado. Estão previstas as assinaturas de acordos nas áreas de ciência e tecnologia, defesa, segurança pública, saúde e medicina. Os detalhes, entretanto, não foram divulgados pelo governo.
Na sequência, os dois chefes de Estado participarão de um jantar na casa do primeiro-ministro e farão uma declaração conjunta à imprensa.
Os ministros das Relações Exteriores (MRE), Ernesto Araújo; de Minas e Energia (MME), Bento Costa Lima Leite; da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação (CTIC), Marcos Pontes; e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, acompanham o presidente.
Na segunda-feira (1º/4), o presidente irá até a unidade de contraterrorismo da polícia israelense. O filho mais velho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (PSL), que integrará a comitiva brasileira, deve estar presente nesses compromissos.
Após a entrega das medalhas para as equipes que atuaram em Brumadinho, o presidente vai visitar um dos locais mais sagrados do judaísmo, o Muro das Lamentações. A construção é resquício do Templo de Herodes, o primeiro construído após a fuga dos judeus do cativeiro da Babilônia.