Facções estariam ameaçando e expulsando agricultores de projeto de assentamento no Acre

22 de março de 2018 404

As ações criminosas de membros de facções que aterrorizam o Acre não está se restringindo somente a zona urbana do estado. Os criminosos passaram a migrar para as áreas rurais, onde a precariedade na segurança é ainda mais deficitária.

No início da semana, um grupo de agricultores do projeto de assentamento Walter Arce procurou a reportagem do Folha do Acre para denunciar as ações de grupos criminosos dentro a comunidade. Segundo os denunciantes, bandidos ligados ao Bonde dos 13 estariam invadido áreas do projeto e promovendo uma onda de crimes, que vão do simples furto ao tráfico de drogas. Com medo, alguns moradores abandonaram suas casas depois que forma ameaçados pelos marginais.

“Esses bandidos tem tirado o nosso sossego. Pelo menos dois vizinhos já foram ameaçados e abandonaram seus lotes com medo de morrer”, disse um dos denunciantes.

Uma agricultora de 46 anos, que pediu para não ter seu nome publicado, afirmou que “os bandidos andam armados pelos ramais do assentamento ameaçando moradores e roubando o pouco que temos. Qual um morador tem que sair de casa para vir na cidade, tem que deixar alguém em casam senão os bandidos invadem e levam tudo”, denunciou.

De acordo com os agricultores, o caso já foi levado ao conhecimento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Rio Branco, mas até a presente data nenhuma providencia foi tomada.

“Já denunciamos na delegacia do Bujari, já denunciamos em Rio Branco, já denunciamos no Incra e até agora nada foi feito. Desde o final de 2016 que vivemos com medo e nem o Incra e muito menos a polícia tem feito alguma coisa para socorrer a gente”.

A reportagem apurou que os casos de violência por parte de membros de facções não se restringe somente ao assentamento Walter Arce. Ações criminosas foram registradas em outras localidades e em municípios diferentes. Em capixaba, um restaurante que fica localizado a poucos quilômetros da entrada da cidade foi incendiado em meados de 2016 por membros de facções, fato este que pode ser comprovado pelas pichações existentes nas paredes que ainda restam do comercio.

A reportagem entrou em contato com o Incra, que por meio de sua assessoria foi informada que o caso chegou ao conhecimento da superintendência do órgão, onde o assunto está sendo tratado com a devida urgência. A assessoria do Incra informou ainda que desde 2016 o órgão tem tentado se reunir com a cúpula da Segurança Pública do Acre para tratar sobre as ações criminosas das facções dentro de projetos de assentamento e que nos próximos dias o Incra estará enviando novo ofício para tentar marcar uma agenda com o Secretário de Segurança.

O Folha do Acre também conversou com Eduardo Ribeiro, ex-superintendente do Incra, que na época das denuncias tentou por três meses marcar uma agenda para se reunir com o Secretário de Segurança Emylson Farias para discutir a problemática nos projetos de assentamento.

“Quando estava na superintendência do Incra e chegou ao meu conhecimento esses fatos, imediatamente pedi que fosse agendada uma reunião com o Secretário Emylson, mas todas as reuniões foram desmarcadas pela Secretaria de Segurança. Enviamos ofício pedindo solicitando essa reunião, mas mesmo assim não obtivemos sucesso. As justificativas eram quase sempre as mesmas, de que o secretário havia sido chamado para uma reunião de urgência com o governador. Acredito que tenha sido pelo fato que à época o Estado estava passando por uma crise emergencial na área da segurança por conta dos ataques das facções. Quero acreditar que tenha sido esse o motivo”, esclareceu Ribeiro.

A reportagem da Folha do Acre procurou a assessoria de imprensa do MPF, que procurou a procuradora para falar sobre a denúncia, mas até o fechamento desta edição a resposta sobre o caso não foi enviada. O espaço fica reservado para os devidos esclarecimentos por parte do órgão federal.