Fernando Cury, assediador de Isa Penna: o deputado que ninguém quer por perto

21 de junho de 2021 247

O deputado estadual Fernando Cury (Cidadania-SP), suspenso por seis meses por assediar a colega Isa Penna (PSOL-SP), virou motivo de constrangimento na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo). Até mesmo um projeto dele simples e sem polêmica, o PL (Projeto de Lei) nº 619, de 2018, que declara a pequena Laranjal Paulista, de 28 mil habitantes, a 160 km de São Paulo, a “capital dos brinquedos”, virou motivo de polêmica.

Apenas as lideranças do PSD e do Cidadania, partido de Cury, se disseram a favor da votação. O argumento é que o voto se daria não pelo autor da proposta, mas para beneficiar a cidade. No geral, a percepção é que qualquer menção ao deputado afastado só causa desgaste para a imagem da Casa.

Apesar de Cury estar suspenso da casa, a maioria das lideranças da Casa foi surpreendida quando notaram que, entre os candidatos à pauta para a semana, havia um projeto dele. A possibilidade causou desconforto de parlamentares do Novo ao PSOL, do PSDB ao PT.

A própria Isa Penna reclamou, através da bancada do seu partido:

“O caso do Cury segue sendo um case de como a política tem impregnado em seus costumes uma violência de gênero velada, não importa se ele está suspenso, não importa se assediou, não importa se seu gabinete não está funcionando, nada importa se ele é homem”, afirma.

“Ser homem é totem. Votar uma emenda dele é natural para eles”, completa a deputada.

Já a bancada do PT, segue defendendo que Cury deveria, na verdade, ser cassado, e não ter projeto votado.

Outros, avaliam que a aprovação de qualquer projeto dele oneraria a imagem da Casa como um todo e outros argumentam de forma legalista: um deputado suspenso, independente do motivo, não pode ter projetos aprovados.

Apesar de questionar a inclusão do projeto, Douglas Garcia (PTB-SP) diz que, se a Casa votar, não se postará contra.

“Se projetos dele [Cury] forem pautados, [Douglas] não irá obstruir, a não ser que afrontem os valores conservadores defendidos pelo deputado, o que não é o caso desse projeto que beneficia o município de Laranjal Paulista”, afirmou a equipe do deputado ao UOL.

Entre os parlamentares de esquerda, a sensação é de que a maioria dos deputados prefere deixar Cury em banho-maria. Não se fala sobre ele, também não se aprova nenhum de seus projetos e, em outubro, eles avaliam como será sua volta ao dia a dia do parlamento.

Cury foi substituído pelo padre Afonso Lobato (PV-SP), suplente. Ele está sem salário durante o período, e seu gabinete, sem verba. Foi a primeira vez que uma casa legislativa no país dá uma punição para um caso de assédio contra uma mulher.

Com informações do UOL

Fonte: REVISTA FORUM/Julinho Bittencourt