Graças à omissão do Ministério Público, do Tribunal de Contas e da PGE, contratos milionários passam sem o devido exame na SEAS
Quem diria! No governo mais fardado da história de Rondônia, com uma quantidade de militares engabinetados na governadoria e entorno que supera os dos coronéis do antigo território, o que o militar tem de melhor não se vê: cumprimento das normas. Pelo menos é isso que se vê ocorrendo na Secretaria de Estado da Mulher.... mas não apenas dela, mas também da Família... e a essa altura o nobre leitor já sabe de que família estamos falando... da Assistência e do Desenvolvimento Social, a SEAS.
De todas as pastas do atual governo de Rondônia, a SEAS se destaca por duas razões. A primeira delas é ter como titular ninguém menos que a esposa de Marcos Rocha, Luana. A segunda é por ter um staff comandado por um advogado de controverso comportamento e mais controverso ainda modo de lidar com as pessoas. Não que ele seja nenhuma espécie de eminência parda, pois falta muito para merecer ser chamado de eminência. E dizer que sua participação na gestão da SEAS é parda, seria correr o risco de responder um processo por racismo, pois se estaria associando a tal identificação étnica algo que salta aos olhos de tão reprovável que é.
Entre a empáfia condutopática e a ostentação da ascendência que tem sobre a primeira dama Luana Rocha, o diretor de políticas públicas das SEAS especializou aquele gabinete de secretaria de estado em esvaziar colegiados de políticas públicas, seja convencendo o esposo de sua superior a reduzir o número de membros, como fez com o Conselho Estadual de Assistência Social, seja simplesmente engavetando a existência e passando por cima da lei, como fez com o Conselho Estadual das Cidades.
É óbvio que tamanha capacidade de persuasão para proceder de forma antijurídica desperta os mais diversos comentários e questionamentos sobre sustentaria tamanha influência junto a Luana Rocha. Mas eis que o advogado, que nunca foi nenhuma celebridade no meio jurídico, na verdade não se sabendo onde é que o governador o foi arrumar para instalá-lo em cargo que exige diálogo permanente com a sociedade, tem consolidado esse perfil da SEAS como instituição avessa à participação popular no controle social das políticas públicas. E olhe que Luana Rocha vinha acalentando o sonho de ser uma espécie de Marinha Raupp cover.
Mas o mais grave é quando se começa a ver que a destruição dos conselhos faz parte de um projeto não propriamente político, mas financeiro, visto que tem permitido passar batido com contratos milionários, como o firmado com a FESPSP, uma ONG paulistana, para a elaboração do Plano Estadual de Habitação de Interesse Social, que custou ao bolso do rondoniense algo em torno de 2,5 milhões de reais. Tal contrato, se a lei estivesse sendo cumprida pelo governo Marcos Rocha, se o Ministério Público estivesse atento, se a Procuradoria Geral do Estado estivesse trabalhando devidamente e se o Tribunal de Contas do Estado estivesse fazendo o controle da legalidade, deveria ser discutido, debatido e examinado pelo Conselho Estadual das Cidades.
Esse infelizmente é o atual quadro de omissão estrutural que se verifica nas instituições rondonienses, em que quem deveria controlar os atos administrativos, especialmente verificando se o princípio da legalidade está sendo respeitado, não apenas fica se omitindo, como é capaz até de sentir-se ofendido quando um cidadão traz aos olhos públicos todo esse descaso. Tempo para trabalhar é coisa que sempre se alega que está faltando, mas tempo para perseguir é coisa para a qual sempre se dá um jeitinho.
MAIS LIDAS
Em depoimento, motorista de Haddad muda de versão sobre ação da PM
Nome de operação da PF contra Lulinha incomoda entorno de Lula
Os nomes do PT que correm por fora para suceder Lula