Guerra entre os Poderes: Marun ameaça pedir o impeachment de Barroso
O que acontece quando o ativismo jurídico vai de encontro com um estado fisiológico? Parece que estamos prestes a descobrir. Após o ministro do Supremo Luis Roberto Barroso fazer uma série de ataques contra o governo Temer que incluiriam alteração do decreto presidencial que proporciona indulto natalino a criminosos a quebra do sigilo bancário do presidente, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, articulador político de Michel Temer (MDB), afirmou considera pedir o impeachment para Barroso.
"Se for este o caminho, agasalhado pela Constituição para casos como esse, eu analiso possibilidade de me licenciar e retomar meu mandato para apresentar solicitação de responsabilização do ministro Barroso", disse.
Marun, que deu a entrevista ao lado do ministro da Justiça, Torquato Jardim, lembrou que Barroso foi indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A reação do governo é um marco importante pois é a primeira vez que o Executivo se opõe de forma tão clara a interferência abundante do Supremo na condução do país. A tendencia de desconsiderar a letra da Constituição para em seu lugar apelar para princípios vagos tem dado frutos amargos e absolutamente anti-democráticos. Entre eles a legalização do casamento gay, que nunca foi posto em votação pelos representantes do povo brasileiro, apenas imposto pelo Tribunal, que desconsiderou tanto a letra da lei quanto a vontade democrática (ainda hoje a maioria da população é contraria a decisão). E mais recentemente a manutenção dos direitos políticos da ex-presidente Dilma, apesar da Constituição ser absolutamente clara ao decretar sua perda para quem sofrer o processo de impeachment.