"HONRA TEU PAI E MÃE"
Eu tinha um amigo, generoso e leal, que com magoa citava a cada passo, o conhecido adágio: " A casa dos pais é sempre a dos filhos; mas, a destes pode ser ou não."
Reformado, recolheu-se à terra natal, cultivando o quintal da casa, que construiu com amor e sacrifício. Andava, de fisionomia, sempre alegre; mas, sabe-se lá, a tristeza que residia no âmago do coração.
Um dia, ao podar árvore frutífera, caiu, estatelou-se. Foi para o hospital. Andou em cadeira de rodas, mas conseguiu recuperar, graças à fé inabalável.
Depois...faleceu-lhe a mulher. De início andava de filha em filha, acabando, a residir com a mais velha – talvez por possuir melhor condição financeira, – que cuidou dele com carinho e amor.
Dias antes do acidente, que o vitimou, encontrei-o em companhia da filha, numa confeitaria gaiense. Verifiquei, então, a dedicação e a ternura como era tratado.
Infelizmente nem todos os idosos têm igual sorte. A maioria dos progenitores são estorvos, que não permitem, aos filhos, viajarem e levarem vida folgada.
Terminam – em geral, – o crepúsculo da vida, num lar. Se possuem posses, acolhem-se em hotéis, onde nada lhes falta; carinho, amor e alimentos bem confecionados; mas, caso contrário, são depositados em asilos.
Conheci idoso Bragançano, que me confessou, no lar em que vivia:" De início estranhei. Reparto o quarto com dois companheiros do infortúnio. Como sou cego, acomodei-me.…, mas sentia não ter privacidade. Depois... acostumei-me."
Também conheci filha, que tratou o pai, com grande ternura e extrema dedicação. Certa ocasião resolveu ausentar-se, de ferias. Pediu aos irmãos para o receberem durante esse período. Nenhum o queria: porque a casa era pequena ou por exercerem atividades incompatíveis.
A não ser as beneméritas Misericórdias, quase ninguém se lembra dos idosos pobres e remediados.
Os Municípios pensam apenas erguerem lares para estudantes e turistas, mas olvidam sempre construírem Casas de Repouso para naturais e residentes, no concelho
Porquê? Os velhos ficam dispendiosos e pagam – quando pagam, – mal. As reformas são insignificantes, em geral. Os que auferem rendimentos elevados, e reformas chorudas, hospedem-se em hotéis… ou não lhes falta quem os queira em sua casa...
Mas os pobres e remediados, quem cuida deles, mesmo conhecendo o preceito evangélico?
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