Incertezas econômicas continuam elevadas e desafiam retomada, diz governo após PIB

3 de março de 2021 21

O recrudescimento da pandemia do novo coronavírus mantém as incertezas econômicas elevadas e desafia os indicadores no primeiro trimestre deste ano, avaliou o governo federal nesta quarta-feira, 3, após a divulgação de queda de 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. Técnicos do Ministério da Economia afirmaram que a retomada de 3,2% no último trimestre do ano passado indica que a atividade econômica continuará crescendo ao longo do ano, mas ressalta a necessidade da consolidação da imunização contra a Covid-19 e ajustes na agenda fiscal como como pontos-chave nesse processo de recuperação. “As incertezas econômicas continuam elevadas e, principalmente, o primeiro trimestre será desafiador. No entanto, a manutenção da política monetária em terreno acomodatício, a expansão da vacinação, a consolidação fiscal e a continuidade das reformas estruturais possibilitarão a elevação da confiança e maior vigor da atividade ao longo do ano”, informou nota publicada pela Secretaria de Políticas Econômicas (SPE).

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE) mostram que a economia brasileira sofreu a maior queda desde o início da série histórica, em 1996, em um ano marcado pela pandemia do novo coronavírus e a paralisação da economia global por conta das medidas de isolamento social. Na comparação com a série anterior, com início em 1948 e metodologia diferente, este foi o terceiro maior tombo, atrás apenas dos recuos de 4,3% registrados em 1981 e 1990. O tombo histórico está acima da previsão de queda inferior a 4% estimada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Já analistas do mercado esperavam recuo semelhante ao registrado pelo IBGE. Economistas e entidades projetavam queda de 4,3%, segundo Boletim Focus publicado em 15 de janeiro, o último com previsões de 2020. Apesar da queda expressiva, a equipe econômica avaliou que o resultado veio melhor do projetado por entidades, que chegaram a estimar queda de 9% no período mais crítico da pandemia. “Nota-se que o resultado do PIB foi bem melhor que as projeções de mercado, em especial quando se compara com a estimativa da mediana do Focus de -6,6% em junho de 2020 (ou do FMI de -9,1% e de -8,1% do Banco Mundial).”

A equipe econômica credencia a queda menos acentuada pela retomada dos índices no segundo semestre, com avanço e 4,1% na comparação com os seis primeiros meses do ano. “A retomada da economia foi pujante, principalmente nos setores da indústria e comércio que cresceram, no segundo semestre de 2020, 8,3% e 9,4%, respectivamente. O setor de serviços foi o principal setor, pelo lado da oferta, na recuperação da atividade no último trimestre do ano passado”, informaram os técnicos do ministério.

 

Fonte: JOVEM PAN