Índia pode absorver 8% das vendas exportações do agro brasileiro até 2030; veja ranking
A Índia consolidou sua posição no grupo dos 10 principais destinos dos produtos do agronegócio brasileiro pelo segundo ano consecutivo, fechando 2025 na 9ª colocação. Com uma movimentação anual de US$ 3,21 bilhões, o país asiático ainda representa menos de 2% das exportações brasileiras do setor, mas as projeções do Ministério da Agricultura indicam uma mudança estrutural para os próximos anos.
Em fevereiro de 2026, o país alcançou a quinta colocação entre os maiores compradores do agro nacional, com US$ 353 milhões em valor. Os principais itens do agro brasileiro comprados atualmente pela Índia são óleo de soja, açúcar e algodão.
A estimativa do governo brasileiro é que a Índia possa movimentar cerca de US$ 9 bilhões anuais até o fim da década, o que significaria 8% da exportação do agro brasileiro.
Além de ser a nação mais populosa do mundo, com 1,44 bilhão de habitantes, o mercado consumidor indiano apresenta uma classe média com renda ascendente desde 2022.
+Brasil discute com China inspeção de cargas de soja
Valor agregado e novos nichos
Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Índia países alcançou US$ 15 bilhões, crescimento de 25,5% em relação ao ano anterior, e a meta comum é elevar esse valor para US$ 20 bilhões até 2030.
Para Tiago Costa, professor de Agronomia da UniCesumar, o cenário indica uma transição no perfil do comércio bilateral. “A tendência, especialmente no contexto do agronegócio, indica uma possível mudança gradual no perfil das exportações brasileiras. Há uma expectativa de diversificação e de incremento no valor agregado”, afirmou. Segundo o especialista, a sofisticação do consumo abre espaço para alimentos processados e soluções sustentáveis.
Embora óleo de soja, açúcar e algodão liderem os embarques, outros setores registram avanço. A carne de frango cresceu 21% em 2025, atingindo US$ 85 milhões. O café superou US$ 38 milhões, enquanto frutas tropicais ganham mercado entre jovens urbanos. No total, a corrente de comércio entre as duas nações fechou o ano em US$ 15,2 bilhões.
Barreiras logísticas e culturais
Apesar do otimismo, o mercado indiano é caracterizado por um forte protecionismo. As tarifas de importação para carnes chegam a 35%, somadas a exigências sanitárias rigorosas. Logisticamente, o tempo de trânsito marítimo entre o Porto de Santos (SP) e Mumbai é de 28 dias.
O fator cultural também é um limitador: menos de 10% da população consome carne bovina, principal item da pauta exportadora brasileira global. Tiago Costa ressalta que o sucesso no país depende de adaptações de ingredientes e investimentos em certificações locais.
“Essas estratégias não apenas facilitam o acesso ao mercado, mas também contribuem para a construção de uma imagem sólida e confiável da marca brasileira”, concluiu o professor.
Índia o 2º principal destino do agro paulista
Falando do mercado de São Paulo, a Índia é o segundo maior destino comercial para o mercado asiático, atrás apenas da China e o quarto colocado no ranking geral. De acordo com os dados levantados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da Secretaria de Agricultura de São Paulo (SAA), em 2025, foram movimentadas cerca de 2 milhões de toneladas (t), o que representou um montante de US$ 906,5 milhões nas transações financeiras.
O produto mais encaminhado, com 76,8% de participação, ao país indiano foi o complexo sucroalcooleiro (US$ 696 milhões). Em seguida: o óleo de soja (US$89 milhões) e itens da indústria química de origem vegetal (US$ 33 milhões) respectivamente.
O destaque dos produtos agrícolas, exportados à Índia, ficou por conta do algodão, com um crescimento exponencial que chegou a marca de 160%, passando de 5 mil toneladas para 15 mil toneladas, em um intervalo de apenas um ano.
Confira os 10 maiores destinos das importações do agro brasileiro em 2025
-
China — US$ 55,22 bilhões
-
União Europeia (UE 27) — US$ 25,20 bilhões
-
Estados Unidos — US$ 11,41 bilhões
-
Vietnã — US$ 3,59 bilhões
-
Japão — US$ 3,26 bilhões
-
Egito — US$ 3,23 bilhões
-
Turquia — US$ 3,23 bilhões
-
Indonésia — US$ 3,22 bilhões
-
Índia — US$ 3,21 bilhões
-
México — US$ 3,14 bilhões