Lei da mordaça

11 de abril de 2018 357

Curioso pela leitura da matéria "Sob tensão, Câmara vota Escola sem Partido" (Diário, 10/4), de  tarde, assisti à sessão tumultuada que, infelizmente, terminou pela rejeição do veto do prefeito de São José do Rio Preto. O projeto de lei de autoria do vereador Jean Dornelas manda colocar nas escolas cartazes  proibindo o professor de falar sobre política, religião e ideologia de gênero. Evidentemente, a intenção do legislador é evitar doutrinação em sala de aula, pois os alunos não devem ser influenciados pelas idéias do docente. Mas tal proibição é inerente à própria função do professor, não precisando ser objeto de lei municipal, nem veiculada através de cartazes. Seria como colocar num cruzamento uma placa com os dizeres: "É proibido atropelar pedestres". Um professor que fizesse propaganda política ou religiosa, se denunciado, deveria sofrer sanções. De outro lado, em lugar de amordaçar, deveríamos estimular o docente a expor as diferentes ideologias que se sucederam ao longo da história humana, no âmbito da filosofia, ciência, arte, religião, política, inclusive ética sexual. Cabe à escola completar a função da família na educação de nossas crianças.

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Salvatore D' Onofrio 
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP 
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
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