Ministério da Saúde diz que vai apurar se doses estragaram por falta de luz em hospital
De André Coelho no Jornal Extra.
Uma apuração da superintendência do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro vai determinar a eficácia de 728 doses da Coronavac que estavam no Hospital Federal de Bonsucesso e podem ter ficado acima da temperatura máxima de armazenamento. As doses, que podem ser descartadas, estavam guardadas em uma ala do hospital que não é coberta por geradores, e que teria ficado sem luz por problemas na rede elétrica da unidade no último domingo. O diretor do hospital, Edson Joaquim Santana, foi exonerado do cargo na última quarta-feira (27), após o problema com as vacinas.
Segundo a bula da vacina disponibilizada pelo instituto Butantan, ela deve ser armazenada em temperaturas entre 2 graus e 8 graus, que podem ter sido ultrapassadas com a queda de luz. As vacinas foram armazenadas em uma câmara fria pela secretaria municipal de Saúde, que enviou um relatório técnico à secretaria Estadual de Saúde e ao Ministério da Saúde, que, segundo a pasta estadual, vai analisar as informações em parceria com a Fiocruz e a Anvisa. Caso as vacinas estejam inapropriadas para o uso, novas doses podem ser enviadas para a unidade pela reserva técnica do estado.
De acordo com um médico que trabalha no hospital, as interrupções no fornecimento de energia são frequentes por problemas na subestação de energia na unidade, e teriam sido agravados depois do incêndio ocorrido em outubro. Segundo ele, as vacinas estavam armazenadas no prédio 5, que estaria praticamente vazio no último domingo.
— Houve um pico de luz e o gerador entrou para o resto do hospital, mas o prédio 5 não é servido pelo gerador. Quando perceberam, não souberam quanto tempo ficou (sem luz), porque logo depois a luz voltou. Aparentemente elas estavam normais, mas imediatamente a direção comunicou o município — explicou.